5 motivos para amar os croatas (e não só a Croácia)

Data: 21 Fevereiro, 2016

Categoria: Mochilão

A Croácia não estava em nossos planos originais. Nosso sonho e nosso roteiro incluíam sim um destino de praias estonteantes, mas as praias gregas. Porém, como mochileiros livres nesse mundão, sem um roteiro fechado, sem reservas em hotéis e sempre buscando a melhor relação custo X benefício, pesquisamos muito e concluímos que a viagem até a Grécia era um esforço enorme (de tempo e de grana) que, no fim das contas, não seria tão recompensador, já que o inverno não nos permitiria deliciosos banhos de mar.

Então, já que era para curtir praias maravilhosas na areia, de blusa e calça comprida (e gorro, e luva, hahaha), decidimos que a Croácia fazia muito mais sentido e que a Grécia ficaria para a próxima volta ao mundo! Assim, ganharíamos tempo e, de quebra, poderíamos incluir outras lindas cidades no caminho.

No total, ficamos 5 dias na Croácia, sendo 2 na capital Zagreb e 3 em Rijeka, pra conhecer também a maravilhosa praia de Kostrena.

Tentar convencer vocês a visitar algumas cidades da Croácia é fácil: basta fazer uma busca no Google Imagens e se embasbacar com as fotos de praias que parecem saídas de uma pintura em tela. Cores absurdas, misturas de azuis e verdes, praias e mais praias belíssimas.

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Complementar esse argumento de fotos com o fato de ser a moeda local a Kuna croata, que é beeeem mais barata que o Euro para nós brasileiros, também ajuda, né?!

Agora… o que nós não imaginávamos é que, além de visuais incríveis e preços acessíveis, a Croácia é povoada por gente muito, muito do bem! De todos os países visitados até agora, os croatas certamente foram os mais simpáticos, solícitos e atenciosos! E quando você está viajando para locais de cultura e idioma totalmente diferentes do seu, um tratamento bacana e atencioso faz toda, toda a diferença e nos marca para sempre!

Por isso, aqui vão os 5 motivos para amar os croatas, baseados em fatos que aconteceram conosco, em ordem cronológica:

1- O senhorzinho guia turístico

Havíamos chegado a Zagreb há poucas horas e saímos para bater perna e conhecer os pontos mais bacanas da cidade. Perdidos no centro, sem saber para onde ficava o Portão de Pedra, paramos em frente a uma placa tentando desvendar o que ela dizia.

Foi quando se aproximou de nós um senhor de gorro de lã, blusa xadrez e barbas brancas, no alto de seus 80 anos (creio eu) e nos perguntou, em inglês, se precisávamos de ajuda. Pedimos informação sobre o tal ponto turístico e ele nos explicou como chegar lá, emendou explicando a história do local, nos sugeriu que acendêssemos uma vela para pedir proteção e saúde, pois se tratava de um solo sagrado e, ao terminar sua aula, apertou nossas mãos desejando uma viagem segura e divertida. Muito amor!

2- A fofa da loja de souvenirs

Em nosso primeiro dia em Rijeka, também explorando as belezas da cidade, subimos os mais de 500 degraus para chegar ao castelo medieval que dá uma maravilhosa vista da cidade. Nos deparamos, então, com uma linda igreja com uma enorme estátua do Papa João Paulo II.

Fizemos uma oração na igreja, vimos diversas fotos de uma visita do Papa ao local e nos encaminhamos para o castelo. No caminho, entramos em uma loja de souvenirs para ver se eu encontrava um copinho da cidade (a única coisa que me permito comprar nessa trip: copinhos de shot pra coleção que tenho!). E, mais uma vez, fomos surpreendidos por uma aula sobre aquele lugar.

Com orgulho, a dona da lojinha nos explicou a razão da visita do Papa, a história da igreja, do castelo, da estátua e nos ofereceu a degustação do azeite milenar produzido na região. Reforçamos que não podíamos comprar nada e ela insistiu que experimentássemos tudo. Coisa fofa!

3- O anjo da guarda na estrada

Em nosso segundo dia em Rijeka, pegamos um ônibus local para ir conhecer a maravilhosa Kostrena, uma praia de águas claras e uma orla de 3km que dá uma bela vista da obra de arte toda. O dia estava meio feio e prometia chuva, mas por muita sorte conseguimos andar por pouco mais de uma hora sem uma gota de chuva.

Terminada a caminhada pela orla, começou a chover sem parar. Colocamos nossas capas de chuva (mochileiros prevenidos!) e voltamos o caminho todo pra pegar o ônibus na mesma altura onde havíamos descido, pra não ter erro.

A moça do hostel havia nos falado que o ônibus passava de meia em meia hora. Então, na pior das hipóteses, ficaríamos plantados na chuva por 30 minutos. Atravessamos a avenida, ficamos de frente para o ponto onde descemos e esperamos, esperamos, esperamos.

A chuva apertou, e a gente esperando. Um frio de lassscar! E os dois igual pintos molhados lá, esperando. Passados os tais 30 minutos, nem sinal do ônibus. Foi quando vimos passar um audi bacanérrimo, vermelho, pelo lado oposto ao que estávamos. O carro parou, fez o retorno e veio em nossa direção.

Ele então nos explicou que devíamos pegar o ônibus para Rijeka no mesmo lugar que descemos, pois daquele lado não passaria ônibus algum! Assim. Gratuitamente e com uma criancinha no carro. Outras tantos nos viram lá parados como dois bobocas, mas ele se deu ao trabalho de parar, dar a volta com o carro e nos explicar que estávamos cometendo um engano. Show!!

4- A fiscal gente fina

Indo embora da Croácia para a Hungria, passamos um perrenguinho bom, mas que poderia ser bem pior, não fosse uma fiscal da companhia de trem em Zagreb!

Voltamos de Rijeka para Zagreb em uma viagem de trem tranquila e chegando à capital, corremos para pegar nosso trem com destino a Budapeste, que sairia em 10 minutos segundo nosso aplicativo das linhas ferroviárias da Europa.

Entramos, nos aconchegamos numa cabine meio estranha e, graças ao nosso feeling aflorado, concordamos que era melhor o Will confirmar se estávamos na 1a classe (nosso passe Eurail dá direito a essa regalia!).

Daqui a pouco volta ele com os olhos arregalados dizendo: “esse trem não vai pra Budapeste!! vai, corre!! pega seu mochilão!! vamos sair antes que o trem feche as portas!!”

Saímos correndo e, então, ele me contou: ao sair para perguntar sobre a 1a classe, a moça, vendo a cara de gringo dele, falou “No Budapeste!!” E então ela nos explicou que a fronteira estava fechada devido aos imigrantes, que só conseguiríamos chegar na Hungria de taxi a partir de uma cidade X no interior da Croácia e que a corrida sairia não menos que 100 euros. Mais uma que nos ajudou sem pedirmos e sem querer nada em troca! 😀

5- A moça do wifi e das dicas

Ilhados na estação de Zagreb, sem internet e precisando definir para onde iríamos, já que seria impossível chegar em Budapeste, lembramos que o hostel que ficamos na cidade era bastante próximo da estação de trem. O Will ficou na estação com os mochilões e lá fui eu pro hostel mendigar o wifi deles, pra poder decidir qual seria nossa próxima parada.

O hostel ficava no 2o andar de um prédio antigo e, chegando na frente do prédio, lá estava uma das moças que trabalhava no hostel, fumando do lado de fora. Puxei conversa com ela, expliquei que havíamos ficado hospedados lá há alguns dias e contei o que havia ocorrido.

Não só ela liberou a senha do wifi do hostel, como passou também a senha da internet do bar ao lado de onde estávamos, que tinha o sinal melhor que o do hostel, e me deu diversas dicas sobre Ljubljiana, capital da Eslovênia (e nosso possível plano B), e sobre Praga, que seria uma cidade que visitaríamos futuramente.

Somados a essas cinco figuras muito solícitas, diversos funcionários de bares, hostels, supermercados e lojas que nos trataram muito bem, com cortesia e atenção.

Ou seja, do começo ao fim, só boas experiências!! 🙂  Quase nos sentimos em casa e, mais do que nunca, recomendamos que você coloque a Croácia nos seus planos! 😀

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