Acampando na neve em Amsterdam

Data: 21 Janeiro, 2016

Categoria: Aventuras

Eu tenho um certo azar com frio e isso agora foi fundamental para eu decidir algo: Se eu puder escolher, só acampo no calor. Já tinha passado frio no Pico da Bandeira, depois muito frio na Serra Fina e agora FRIO DE MORRER em Amsterdam, Holanda.

Estou dando a volta ao mundo e é claro que a Europa é o local mais caro de todos, aqui não tenho muito dinheiro para comer, beber ou me hospedar, tanto que estou gastando por dia em alimentação em média 3 euros, uma água por 1 euro e ainda sobra 2 para passar o dia. Ontem foi uma baguete sem recheio, isso é, pão puro e agora enquanto escrevo esse post, estou comendo uma caixa de morango que custou 1,5 euros.

Como não tenho grana, decidi acampar em um local à uns 50 minutos andando do centro de Amsterdam. No primeiro dia não consegui chegar lá, me perdi e tive que achar um hostel, porém, ontem fui lá acampar ou melhor tentar acampar. Nunca senti tanto frio na vida, achei que o pior tinha sido na minha experiencia no deserto do Atacama, mas não, ontem senti um frio de lascar.

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Primeira curiosidade sobre acampar em climas abaixo de zero: O chão é duro, praticamente uma pedra de gelo. Foi complicado colocar as estacas, demorou quase o dobro de tempo para montar a barraca, porque fazer tudo com luva é muito mais difícil. Até falar no celular ou fazer vídeos é complicado no frio de 3 graus. Mas vai piorar bastante ainda…

Uma coisa que aprendi ao passar frio nas montanhas do Brasil é que tudo melhora com o nascer do Sol, o Brasil é uma dádiva, o Sol, inclusive visto como um deus pelos nossos índios, nos seus primeiros minutos já esquenta tudo, até os ossos de pobres aventureiros como eu. Aqui não, o frio é constante e só piora muito na madrugada.

Oito horas da noite eu já tinha percebido a cagada de ter ido acampar nesse frio, mesmo com equipamento profissional que levei, passei um frio dos diabos e tive que entrar em modo sobrevivência para não morrer, ou pelo menos esse era meu medo. Não sei como é morrer de hipotermia, então, não saberia se estava morrendo ou não de frio e fiquei na maior preocupação.

Nessas horas é colocar o truque da vovó para funcionar. Antigamente quando os dias em SP eram mais frios, as pessoas enchiam bolsas de água quente e colocavam nos pés, foi exatamente o que eu fiz, só que utilizei uma garrafa PET. Acordava de 2 em 2 horas tremendo de frio e ligava o fogareiro para aquecer mais 500 ml de água e colocar no pé ou entre as pernas, ajudando a circulação do sangue aquecido.

Quando o frio apertava mesmo, eu jogava 1 colherzinha de açúcar na água só para dar um gostinho e enchia a caneca com água quente. Geralmente o corpo dá uma segurada no frio por alguns minutos e nesse ritmo passei a longa noite de ontem.

Só sei que hoje acordei esperando o sol aquecer meus ossos e nada, ele ficava lá batendo fraquinho e não serviu de nada. Recolhi minhas coisas e caí fora para um Hostel, não sei se aguentaria mais uma noite naquele ritmo. A barraca ficou toda congelada pois nevou de noite, o chão da barraca congelou em volta do meu isolante térmico que não fez milagre, isolantezinho miserê de alguma marca que eu amaldiçoei durante essa noite.

Já escrevi aqui que prefiro acampar na rede, mas infelizmente não tinha nenhuma árvore para eu amarrar minhas cordas, tive que ir para o chão mesmo.

Mas é isso, se você não ir e tentar não pode falar que conseguiu, nesse caso a natureza me chutou para fora e fui com o rabinho entres as pernas de volta para o chuveiro quente do Hostel onde estou. O problema é a grana que ficou mais curta. Não sei como moradores de rua fazem por aqui, devem ter que colocar uma pilha de 50cm de papelão para isolar o frio que brota do solo.

Continue acompanhando o blog pois em uma volta ao mundo esse tipo de coisa acontece, muitos mais perrengues virão. Depois eu falo o que estou achando de Amsterdam, vou esperar a Fefa chegar por aqui.

Abraço e bons ventos!

4 comentários

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4 comentários
  1. Samira Responder
    22 de Janeiro de 2016

    Will, adorei o post!!! Senti frio só de ler.
    Curtam muito todas as experiências nessa trip !!!
    Vai ser delicioso acompanhar tudo por aqui!
    Beijos, Samira.

    1. Will Gittens Responder
      24 de Janeiro de 2016

      Oiee Sá… acho que agora estou acostumando com o frio, ainda mais agora trabalhando na roça da Holanda, que faz muito frio mesmo. Hoje já nem precisei de gorro, nem luva… to ficando casca para a próxima tentativa de acampar na neve. Valeu por seguir o Blog!!

  2. 23 de Janeiro de 2016

    Will! Fico aliviada de saber que você escuta os limites do seu corpo! A grana diminui e a previsão de gastos não é muito diferente do que se passa em outros planejamentos.. Adaptações são necessárias e um trampinho aqui, outro ali vai rolar e repor essa diferença!
    Fico aqui, na torcida de que tudo caminhe bem!
    Bj pra VC e pra minha neguinha!

    1. Will Gittens Responder
      24 de Janeiro de 2016

      Oie Ruthhee, é, se não escutar meu corpo, acabo morrendo nessas aventuras por aí. Sim, adaptações são necessárias e acho que serão comuns no nosso plano, são muitos detalhes que vamos mudando para viabilizar o plano final que é dar a volta ao mundo. Opa, valeu pela torcida e apareça sempre no blog, é sempre uma terapia Grátis ler seus comentários 🙂 🙂

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