Entrevista: Como organizar uma aventura extrema

Data: 14 setembro, 2017

Categoria: Aventuras

Já imaginou como funciona a organização de uma grande aventura? Falamos com Antonio Fonseca, que acabou de realizar uma travessia inédita, percorrendo a pé o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. Confira como foi a primeira expedição oficial da World Adventure Society!

Como nasceu a ideia de atravessar o Salar de Uyuni andando?

Há 4 anos atrás estive no Salar de Uyuni pela primeira vez, fazendo a travessia de carro, me lembro de ter ficado encantado com aquele lugar, no ano de 2016 tive a oportunidade de voltar com um grupo de 10 pessoas que eu estava guiando na Bolívia e mais uma vez atravessei o Salar de carro, e nesta viagem me despertou um interesse muito grande em conhecer mais do lugar, me conectar de uma forma diferente.

Voltando para casa pensei: Porque não atravessar o Salar caminhando? Foi aí que iniciei as pesquisas de como viabilizar isso.

Uma vez definida a ideia, qual a maior dificuldade que você sentiu para colocar esse plano em prática?

Tive 2 dificuldades, uma se resolveu muito rápido. Precisava encontrar uma pessoa que tivesse o mesmo amor a aventura que eu e que topasse entrar de cabeça em um grande projeto, projeto hoje chamado de Travessias Extremas.

Após alguns cafés conversando com Alberto Andrich resolvi apresentar o projeto a ele, que logo se encantou e ajudou a dar forma. Alberto é filmmaker e fotógrafo de aventura e entraria no projeto para reproduzir as melhores imagens.

Depois de tudo acertado fomos para a parte mais difícil, a captação de verba. Apresentamos o projeto para algumas empresas afim de viabilizar a ideia e logo no primeiro mês já tínhamos o montante para realizar a expedição.

De repente a surpresa… rs

Depois de um evento em Belo Horizonte, Adventure Crossroads onde fui apresentar o projeto de travessia do Salar, Coronel Leite que também participava do evento, mostrou interesse em também participar da travessia, naquele mesmo final de semana em um churrasco conversamos e ali ficou definida a entrada dele.

Pronto tudo resolvido, já tínhamos a equipe formada (Marco Brotto também integrava o grupo como 2° câmera) Coronel Leite ajudou a viabilizar um pouco mais o projeto e na data marcada partimos.

Vamos falar um pouco de logística, quantos e qual tipo de equipamentos vocês levaram para a travessia?

Os equipamentos vieram depois de um grande estudo, primeiro precisava pensar como carregar tanta coisa, tanta água e comida. Mochila? Nem pensar… Foi aí que definimos criar uma carretinha batizado pelo Coronel Leite como trenó de rodas.

Além da carretinha precisávamos de equipamentos técnicos, levamos 1 barraca para cada, saco de dormir para -15°C, equipamentos de cozinha, vestuários técnicos, cutelaria e suplementos, além de 60 litros de água e muita comida liofilizada.

Peso total: 130kg em cada carretinha.

Para segurança contamos com o suporte que nos rastreava em tempo real, e as pessoas podiam acompanhar pela internet, além de MUITO protetor solar. O clima daquele lugar é louco, sensação térmica de 30 a 35° durante o dia e temperaturas de -10° a noite. Sofremos muito com o clima.

Tínhamos um planejamento de 8 dias de travessia e mais 2 dias de reserva, o que totalizavam 10 dias de expedição, conseguimos concluir a empreitada em 5 dias e 2 horas.

Vocês tiveram algum tipo de suporte no decorrer da jornada?

Tínhamos o carro de produção que nos acompanha todo o tempo fazendo as filmagens, porém nunca interviam em nada. Além do carro de produção estávamos sendo rastreados via satélite em tempo real e qualquer coisa estaríamos seguros. Inclusive utilizamos o rastreador no segundo dia quando uma das carretinhas quebrou. Que dia longooo rs

Conte-nos sobre sua trajetória no mundo da aventura. Como tudo começou?

A história é bem longa rs
Tive uma infância muito difícil, comecei a trabalhar com 12 anos de idade para ajudar nas despesas de casa e sempre me senti atraído pela natureza, me lembro de sentar no chão da sala e assistir Globo repórter Patagônia. Eu era apaixonado por aquele lugar mas sempre pensei que nunca, nunca conheceria aquilo. Os Anos se passaram e aos 17 perdi meu pai, foi aí que decidi mudar de vida, me mudei para SP e lá fiz minha vida, dei a volta por cima.

Depois de um tempo em SP precisava de uma válvula de escape, foi aí que conheci o trekking. Minha primeira aventura foi uma trilha de 4 horas na Serra do Mar de São Paulo, aquilo era o máximo, me encantei e sempre buscava mais e mais, até que surgiu uma oportunidade de fazer minha primeira viagem internacional e conhecer a neve. Me sentia o aventureiro e logo nesta viagem decidi subir um vulcão rsrs

Eu que sempre tinha feitos caminhadas de no máximo 2 dias na serra do mar subindo um vulcão? Pois é… No dia desse vulcão prometi que nunca mais faria isso de novo, sofri muito, passei muito mal e frio, desisti no primeiro dia de “expedição” em Arequipa ao vulcão Misti.

Frustrado voltei para o Brasil e foi onde comecei a estudar, buscar informações, conversar com pessoas e tomar mais gosto pela aventura. E aqui estou hoje, guiando grupos em grandes expedições e realizando grandes projetos.

Tem alguma dica para passar aos nossos leitores sobre como transformar o sonho em realidade?

Persistência, Dedicação, vontade e disciplina . Esses são os pilares que levo em minha vida e me fazem crescer cada vez mais e chegar ao topo.

Nós construímos nosso caminho!

Acompanhe as aventuras do Antonio Fonseca nos sites:
https://www.facebook.com/travessiasextremas/
http://www.afccaventuras.com.br
http://www.worldadventuresociety.org/

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