Dias de amor e ódio em Beijing

Data: 16 Abril, 2016

Categoria: Mochilão

A China estava em nossos planos desde o início da organização da volta ao mundo, por três motivos principais: Beijing era a última parada da Trans Siberiana / Trans Mongoliana; A Grande Muralha em Beijing estava em nossos sonhos há tempos, assim como o Exército de Terracotta em Xi’an.

Assim, fizemos toda a burocracia para tirar o Visto Chinês na Polônia (mais informações nesse post), percorremos a enorme Rússia, nos apaixonamos pela Mongólia e, enfim, desembarcamos em Beijing, prontos pra encarar a superlotação típica chinesa, os olhares curiosos dos orientais, a culinária deliciosa e nojenta ao mesmo tempo (hahaha) e as maravilhas que as cidades visitadas nos proporcionariam.

beijing0

Assim que botamos o nosso pé fora da estação de trem central em Beijing, percebemos que tudo o que imaginávamos era pouco comparado com a realidade. Muita, muita gente. Pra todos os lados. Olhares muito mais que curiosos… por vezes maliciosos. Construções enormes, praças gigantescas, GPS que não funcionava no mapa offline de jeito nenhum.

Deu um frio na barriga danado! Uma mistura de arrependimento e fascínio por algo tão diferente.

E lá fomos nós, batalhadores, a pé para nosso hostel!! Tentamos algumas ajudas no percurso pra nos localizarmos, em vão, ninguém falava sequer uma palavra-chave em inglês!

Por sorte, nosso hostel era bem localizado, próximo a muitos pontos turísticos, e eu havia passado diversas horas estudando o Google Maps antes que entrasse em território chinês e tivesse meu oráculo bloqueado. Então, depois de ficarmos perdidos por pouco tempo, achamos nosso rumo e logo encontramos o hostel… Ufa!

A caminhada de 25 minutos com o mochilão nas costas foi muito menos sofrida que outras tantas feitas durante a trip, afinal a temperatura em Beijing estava na casa dos 26 graus positivos quando chegamos, beeem mais quente e mais agradável para os brasileiros saudosos por um calorzinho depois de meses de frio europeu, russo e mongól.

Ficamos em Beijing 5 dias, o que é tempo suficiente pra conhecer os pontos mais importantes da cidade. Porém, se você quiser experimentar a rotina da enorme cidade e conhecer muito mais que somente os pontos mais famosos, você precisa de bem mais do que isso! Como foram cinco dias de intensa descoberta, que agora podem render muitas dicas aos viajantes que querem encarar turismo na China, vou fazer um resumo nesse post e depois escrever posts dedicados a alguns assuntos específicos, caso contrário isso aqui vai virar uma bíblia de tão grande! 🙂

beijing5

Dashilan street – é uma rua que ferve em lojas, restaurantes, comidas de rua e típicos costumes chineses! Indico que você tente se hospedar nela, ou bem próximo dela, porque você estará perto de vários pontos interessantes! As comidinhas são baratas, totalmente tradicionais chinesas e há uma infinidade de lojas de suvenirs, roupas, vasos, bolsas, mercadinhos, etc etc etc! Os vendedores ficam nas ruas, gritando pra chamar a atenção dos clientes. É uma verdadeira loucura muito divertida!

beijing2

Praça da Paz Celestial – bem próxima da Dashilan street, é a praça onde ocorreu aquela famosa cena do homem que parou em frente aos tanques de guerra, símbolo dos Protestos ocorridos na China em 1989. É uma praça gigantesca, toda de concreto… Não tem bancos para sentar e apreciar o movimento, então ela se torna apenas passagem para outros pontos importantes: Ali fica localizado o Museu Nacional da China, que é gratuito (basta encarar a enorme fila e apresentar o passaporte) e o Mausoléu do Mao Tse Tung.

beijing3

A Cidade Proibida – seguindo em frente na praça da paz celestial, você passará pela famosa foto de Mao Tse Tung e, 3 portões a frente, estará na entrada da Cidade Proibida. É preciso pagar para entrar lá (60 yan por pessoa) e o enorme e bacanérrimo lugar merece pelo menos 3 horas de visita. É realmente lindo, impressionante e vale a pena encarar a aglomeração inicial (é tudo sempre lotado. sempre!!). Porém lá dentro, você consegue fugir da multidão e encontrar alguns pontos bem tranquilos. Na minha visão, o lugar mais lindo lá dentro é o Imperial Garden e as árvores milenares! Se você visitar Beijing na primavera, como nós, ainda será presenteado com lindas árvores de flores coloridas!

beijing6

Palácio de Verão – fica a uns 15km do centro da cidade e, por isso, você precisa encarar o metrô pra chegar lá. Mas encare, mesmo, por que vale muito a pena!! Posso ser herege ao falar isso, mas para mim é um lugar bem mais lindo que a Cidade Proibida! O parque é enorme, cheio de templos budistas com construções incrivelmente detalhadas, muitas árvores, lugares tranquilos pra sentar e fazer um pique-nique, um lago enorme em que você pode passear de barco e o palácio em si, é maravilhoso! Dedique pelo menos metade do dia pra essa visita e você não vai se arrepender!

beijing7

Estádio Ninho de pássaro e Cubo d’água – são as únicas construções modernas da cidade que realmente valem a pena a visita! O estádio e o complexo aquático construídos para as Olimpíadas de 2012 são impressionantes, grandiosos e super modernos! Se você é fã de esportes, vale a pena pagar e entrar neles. Porém, se sua vontade, como a nossa, é apenas ver as famosas estruturas externas, faça a visita a noite e se esbalde com o show de iluminação e projeções de imagens! Coisa de louco!

beijing8

A Grande Muralha – aaaahhh esse sim é um motivo e tanto pra conhecer Beijing!! Todas as entradas para a muralha da China ficam a, pelo menos, 60km de distância da cidade, mas é a partir de Beijing a melhor forma pra chegar nelas. Ter sucesso ao visitar a Muralha é uma aventura a parte, por isso vamos fazer um post exclusivo pra tratar disso! 😉

E depois de tanta experiência bacana em Beijing, você pode me perguntar: por que o título do post fala sobre “amor e ódio”?!? Aaahh, gente… porque apesar dos tantos lugares bacanas para se conhecer lá, apesar da história incrível que cada um daqueles pontos turísticos carrega consigo, não é fácil turistar na China…. por uma série de motivos:

– Difícil para pagar: não se aceita cartão Visa e Mastercard em nenhum lugar (exceto na Starbucks). É necessário pagar todas as tarifas existentes e viver sacando dinheiro pra pagar tudo em cash… até no Mc Donalds!!

– Difícil para conseguir ajuda: eles podem até querer ajudar (muitos não querem, na verdade), mas pouquíssimas pessoas falam inglês e ainda por cima os chineses são péssimos em mímica (diferente dos russos, por exemplo, que são ótimos pra se comunicar com gestos) e não entendem as palavras escritas no nosso alfabeto;

– Difícil para se planejar: a Internet é péssima, terrível. Tanto o sinal, fraco e intermitente, quanto o bloqueio de sites como Google e Facebook tornam o dia a dia bem difícil. Não dá pra planejar direito o próximo destino, o itinerário de metrô, o mapa da cidade, as atrações turísticas… Não dá pra atualizar a página, subir posts é um martírio…. Enfim. Ficamos isolados do mundo;

– Difícil de aguentar o comportamento típico dos chineses: você já deve ter ouvido falar que os chineses pedem pra tirar foto com ocidentais, mas isso é até engraçado! O problema é quando eles não pedem e tiram foto sem sua autorização, também é péssimo como eles olham pra nós com olhares maliciosos e nos medem de cima a baixo, também cospem no chão o tempo todo, ouvem música alto em qualquer lugar, fumam onde bem entendem… São, em sua maioria, espaçosos e sem higiene, na nossa humilde avaliação. Com o passar dos dias, vai ficando cada vez mais chato aguentar!

0 comentários

Compartilhe!
Compartilhar no Facebook! Tweetar! Compartilhar no Google+ Compartilhar no LinkedIn Enviar por email
Palavras:

Você vai gostar de ler:

Manual completo para viajar de navio de carga

Como chegar a Machu Picchu

Como fazer a Trans Siberiana

Rota de volta ao mundo: Começando a organizar

Participe! Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*