Dicas essenciais para visitar o Pantanal

Data: 22 julho, 2016

Categoria: Mochilão

Como contei nesse post, viajamos no Trem da Morte, de Santa Cruz de la Sierra a Puerto Quijarro e de lá atravessamos a fronteira entre Bolívia e Brasil para a vizinha brasileira Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

Nosso principal foco no Estado era ir para Bonito, afinal a natureza da região é abençoada e nós poderíamos fazer mergulhos em águas transparentes pra ver peixes multicoloridos, mas também nos interessava muito conhecer o Pantanal. Então, chegando a Corumbá, depois de uma considerável viagem em ônibus de linha desde a fronteira até a rodoviária da cidade, começamos a saga pela melhor oportunidade em custo/ benefício.

E o que constatamos é que a região de Bonito tem preços altos o ano todo e tabelados, então todas as agências de viagem praticam os mesmos preços e nivelam por cima o valor de cada serviço. É necessário pagar para entrar nas principais atrações e como os principais pontos turísticos ficam, na verdade, fora da cidade de Bonito, os turistas ficam dependentes de empresas de transporte.

Para o Pantanal, existe duas principais agências de viagem em Corumbá que organizam tours e, apesar de ter preços menores que de Bonito, também são altos quando comparamos com tours realizados em outros países. Fica claro que ambos os destinos do Mato Grosso do Sul estão focados em atrair estrangeiros que ganham (e gastam) em dólar e euro!

Pois bem! Pesquisamos os preços de ambas as agências de viagem de Corumbá e fechamos um pacote de 3 dias, com transporte, hospedagem no meio do Pantanal, pescaria, passeio de jipe e barco.

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E apesar de ter sido uma experiência muito bacana, logo percebemos que não há nenhuma necessidade de fechar um pacote e que, na verdade, as empresas turísticas ganham um dinheiro muito fácil, pois não fazem absolutamente nada a não ser acionar contatos que você mesmo pode fazer (e economizar pelo menos 15% do valor total).

A jornada começa em um ônibus que vai de Corumbá a Campo Grande, saindo da rodoviária da cidade. Apesar de contratar o tour, você terá que ir até a rodoviária se virar sozinho. Então, esqueça a falsa comodidade do serviço turístico e vá direto a rodoviária. Quando for comprar a passagem, avise ao caixa que você vai descer no Buraco das Piranhas, que fica no meio do trajeto e, assim, o preço de sua passagem será proporcional ao percurso. Você pagará algo em torno de R$ 35,00 por pessoa.

Não esqueça de avisar também ao motorista, para que ele pare no meio do caminho, depois de cerca de duas horas de viagem. (Note: nós contratamos um pacote turístico, mas não havia ninguém para dar suporte!)

Você descerá no meio da estrada, em uma espécie de posto policial que fica de frente para a Estrada Parque Pantanal. De lá, você estará a uma distância de cerca de 8km do primeiro hotel e de uma pequena vila de moradores locais.

Apesar de ser uma distância pequena para mochileiros casca grossa, não é nada indicado que seja feita a pé, afinal estamos falando do Pantanal, cheio de jacarés, onças e muitos outros bichos que podem não gostar da presença humana dando sopa por ali.

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Então, deixe a adrenalina de lado nesse pedaço da viagem e combine previamente com algum hotel-fazenda o seu transporte desde o Buraco das Piranhas até o meio do Pantanal. Todas as hospedagens instaladas no meio da mata oferecem esse serviço de traslado, porém ele é vendido, pelas agências de viagem de Corumbá, como um serviço exclusivo. (espertinhos, não?!)

Fique ligado! É absolutamente possível que você ligue diretamente aos hotéis para combinar o transporte desde o Buraco das Piranhas até o meio do Pantanal.

E lá fomos nós para o Hotel Fazenda Arara Azul, o hotel mais distante da rodovia e, consequentemente, o mais escondido no meio da natureza exuberante pantaneira. O caminho até lá já foi um show a parte, cheio de cores, vida, bichos, barulhos da natureza e uma verdadeira aula por parte do motorista da caminhonete.

Depois de cerca de duas horas, chegamos ao hotel fazenda e nos instalamos. E a primeira experiência foi uma pescaria noturna na qual podíamos ver os olhos brilhantes dos jacarés rondando nosso grupo. Pura adrenalina!

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Difícil foi conseguir pescar tantos peixes quanto o grupo de chineses que estava conosco… nunca vi nada igual! Mas nós representamos o Brasil e pescamos dois peixes cada um! Oba! 🙂

Naquela completa escuridão de céu estrelado, saímos para uma caminhada guiada para ver os bichos e plantas de hábito noturno (importante!! o guia é contratado do hotel e não tem nenhuma relação com as agências de turismo…!). A experiência vale muito a pena e nos tira completamente da zona de conforto, afinal temos que andar na escuridão, no meio do mato, apenas ouvindo os barulhos da natureza e seguindo os passos do guia.

Vença seus medos e aflições e faça essa trilha! É delícia de oportunidade que não temos no dia a dia e muito menos nas grandes cidades!

Durante o dia, as atividades no Pantanal são basicamente: fazer trilhas, andar a cavalo, passear de barco, contemplar a natureza, independente de quantos dias você decidiu ficar no hotel fazenda. Então, caso a extrema tranquilidade da fazenda não te atraia muito, dois dias de visita são mais que suficientes para ver o que há de mais bacana e impressionante por lá.

Se você tiver sorte, verá onças pintadas durante o passeio de barco que pode ser feito no rio Paraguai ou em rios menores da região. Por maior que tenha sido minha torcida, as belezuras felinas não deram o ar de sua graça, mas muitos bichos aparecem para nos dar um alô: pássaros multicoloridos, jacarés, capivaras, veados, lagartos, antas. É um verdadeiro zoológico a céu aberto com bichinhos correndo livres e saudáveis.

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Os gringos piravam! Nós éramos os únicos brasileiros hospedados no hotel fazenda e no grupo de chineses, franceses e alemães que dividiram os dias e passeios conosco, todos falavam, impressionados com o que viram, que nós devemos ter muito orgulho do Pantanal e de todas as outras belezas naturais de nosso país.

Depois de dar uma volta ao mundo e conhecer mais de 40 cidades, fica realmente muito claro que somos abençoados no quesito Natureza e que precisamos lutar pela preservação de cada pedacinho do solo brasileiro.

E também fica claro que o preço do turismo no Brasil é desproporcional e, infelizmente, desencoraja o brasileiro a visitar seu próprio país, mesmo que façamos toda a organização e planejamento por conta própria.

Quem sabe um dia não revertemos esse quadro?! Eu ia adorar incluir no currículo de viajante todos os Estados brasileiros! E você?! 😉

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