Entrevista – Mãe, empreendedora e trabalhando seus sonhos

Data: 23 setembro, 2016

Categoria: Sonhos

Como o principal objetivo do blog é convencer você de que é possível realizar seus sonhos, contanto que você foque energia, trabalho duro, organização e flexibilidade para colocá-los em prática, constantemente procuramos por histórias inspiradoras que possam dar energia aos nossos leitores para continuarem lutando por seus projetos de vida mais plena e feliz.

Seja através de pesquisas na web, seja por meio das entrevistas que estamos fazendo para o blog, nós temos a sorte de estar sempre em contato com histórias que nos mostram que é possível, é real e está acontecendo: pessoas de perfis diversos, com histórias de vida das mais variadas possíveis, com todo tipo de conta bancária e plano, que estão lutando, mudando suas escolhas, buscando caminhos mais alternativos para ganhar a vida e realizando seus sonhos.

É de nos encher de esperança e boas energias!!

E assim foi a entrevista com a Vanessa Delpy, uma jovem mãe empreendedora com uma história muito bacana pra compartilhar: foi revigorante!

Tanto é que, depois de transcrever nosso bate papo, eu me empolguei tanto escrevendo o texto de abertura da entrevista dela, que ficou muito grande e virou um post à parte, com o título Felicidade em foco: no pedido de demissão ou não! 

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Então, convido você a conhecer a história da Van, do projeto Espichamos.com e quebrar alguns paradigmas de que apenas as pessoas com a vida ganha podem mudar o rumo de suas vidas para serem mais felizes!

Eu não estava infeliz na carreira!

Diferente de muita gente que decide mudar o rumo da vida, eu não estava infeliz no meu emprego e na carreira que havia escolhido pra mim quando decidi que precisava experimentar uma outra forma de construir minha história.

Sou formada em Publicidade, tenho uma pós graduação em Estratégia de Comunicação Corporativa e, apesar de ter iniciado minha carreira com interesse em trabalhar em agências ou produtoras de vídeo e som (já que buscava algo mais leve, criativo e tenho a música como hobby), foi na área de Comunicação corporativa dentro de grandes empresas que eu me encontrei.

Assim, atuei nessa área por 15 anos, sendo que nos últimos 8 anos trabalhei em uma grande empresa do ramo de Seguros e Previdência e lá estava construindo uma carreira sólida que me levou ao cargo de gestão que eu ocupava antes de decidir mudar as coisas.

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Eu sempre fui feliz com o que fiz profissionalmente e com a empresa! Acordava animada todas as manhãs, era positivamente desafiada a me desenvolver e crescer, estava motivada, realizada e satisfeita com o que a empresa me oferecia.

E, assim, eu vivia na trilha que nos é socialmente imposta sem nem questionar! Aquela trilha em que temos que ter cada vez mais: estudar muito, trabalhar muito, fazer pós, MBA, mestrado, ser gerente, diretor, presidente da empresa… Porém, algumas transformações começaram a ocorrer e a mudar minha forma de enxergar a vida!

Mas as prioridades começaram a mudar!

Então, em 2011, eu tive meu primeiro filho, o Dudu! E, apesar de continuar com a cabeça focada naquela trilha socialmente aceita, eu comecei a me questionar sobre “onde de fato eu quero chegar?!”. Será mesmo que eu queria ser a VP de Marketing de uma multinacional, ganhando e trabalhando cada vez mais?!

Mas, apesar de começar a me questionar, eu ainda estava muito dentro da trilha e ficava numa constante sensação de aceitação, do tipo “Ah… a vida é assim mesmo! Eu vou ter que voltar da licença maternidade e trabalhar, enquanto o Dudu fica numa escolinha pra já se acostumar a ser independente e responsável desde pequenininho”. Sabe aquele lance de concluir “Ah… a vida é dura mesmo!!” ?! Então! Eu estava assim!

Enfim! Voltei da licença maternidade do Dudu, pouco antes disso coloquei ele na escola, voltei à rotina de trabalho e até conseguia ter um horário bom… na sequência, uns 4 meses depois que voltei à empresa, fui promovida e virei gestora, o que era a evolução natural da minha carreira e mais um sinal de que eu tinha um emprego bacana, em uma empresa que valorizava seus funcionários, ao invés de me demitir quando eu retornasse da licença, como ocorre em muitas empresas.

E aí foram quase 3 anos de muito trabalho, o Dudu foi crescendo, eu continuava gostando do que fazia na empresa, mas dedicava pouco tempo para o meu filho. Quando o Dudu ficava doente, eu deixava com as avós. Durante o dia, ele ficava na escola e a noite, quando eu chegava do trabalho, não tinha pique pra brincar com ele. Enfim..!

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Comecei a perceber que, de todos os papéis que eu tinha que cumprir no dia a dia, o de ser mãe era o que eu mais gostava e o que eu menos desempenhava! Meu filho estava sendo criado pela escola, uma escola que eu amo muito, mas que estava fazendo o papel que era meu e que eu queria fazer.

E rolou o empurrão que faltava!

Foi aí que eu engravidei do segundo filho, o Joca, e todos os questionamentos se intensificaram!
Fiquei pensando em como eu estava fazendo com o Dudu e como eu queria fazer diferente!! E, então, eu decidi que não queria voltar da minha segunda licença maternidade e queria um caminho alternativo para ganhar a vida, mas ficar muito mais tempo com meus filhos!

Afinal, eu estou criando as crianças que serão o futuro do país, do mundo! E por mais que você confie na escola dos seus filhos, os valores mais importantes do ser humano têm que ser passados pelos pais e como fazer isso se você está trabalhando o tempo todo?!

Então, foi durante a gravidez e licença maternidade do Joca, que eu concluí que precisava desenvolver um projeto meu, pessoal! Comecei a focar meus pensamentos em encontrar oportunidades de negócios para desenvolver meu projeto e mudar o rumo da minha vida.

Nasceu a ideia do projeto Espichamos.com

Naquele momento, comecei a prestar mais a atenção ao fato de que o Dudu tinha usado muitas roupas usadas durante seu crescimento inicial e que a maioria das roupinhas dele e do Joca eram de 2ª e 3ª mãos e, mesmo assim, continuavam novas mesmo depois que eles as “perdiam” por crescerem rápido. E, então, veio a inspiração!

Eu pensei em abrir um brechó online e dividi a ideia com a minha prima e madrinha dos meninos. Então, amadurecemos a ideia e pensamos em criar um marketplace, apenas para intermediação de negócios no ramo de artigos infantis. Foi assim, em meados de setembro de 2014, que criamos em sociedade o conceito do projeto Espichamos.com, que defende o consumo responsável, algo em que acredito fortemente.

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Eu estava gravidíssima quando o trabalho intenso começou. Eu e minha prima passamos a nos reunir aos finais de semana para trabalhar. Estruturamos o projeto, listamos os parceiros que precisávamos pra colocar o plano em prática, levantamos orçamento e começamos a construção do site. Em dezembro de 2014, no dia que o Joca nasceu, eu estava trabalhando na montagem de uma lista de e-mails de clientes em potencial para divulgar nosso projeto.

Aí veio a fase de muito trabalho e vários turnos!

Aí o Joaquim nasceu! E eu sempre brinco que ele trabalha no Espichamos.com desde que nasceu, porque desde que voltei da maternidade pra casa, todos os dias eu trabalhei no projeto e ele “plugado”no meu peito!

A licença maternidade do Joca foi ótima pra conseguir estruturar bem o plano e pude desenvolver ele todos os dias. A gente trabalhou enlouquecidamente nesse período!

Janeiro e Fevereiro de 2015 foram meses muito intensos, mas Março e Abril foram verdadeiramente enlouquecedores! Viramos noites trabalhando! Minha prima trabalhava durante o dia em uma agência de publicidade e a noite fazíamos as reuniões para alinhar, testar, definir os próximos passos juntas. Praticamente todos os finais de semana do primeiro semestre de 2015 foram dedicados ao trabalho duro do projeto.

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E eu lembro muito bem que, como nós lançamos o site no dia 05 de maio de 2015, o feriado que antecedeu o lançamento foi a Páscoa, em que a gente trabalhou muuuito!! Começávamos ao meio dia e íamos até às 5h da manhã, durante 3 ou 4 dias seguidos, enquanto o Thi (meu marido) cuidava do Dudu e o Joca ficava plugado no meu peito. E a gente ralou demais!

Em Maio de 2015, lançamos o site Espichamos.com! E, em junho de 2015, mesmo com um projeto super bacana começando a rolar, eu precisei voltar da licença maternidade, afinal a renda era necessária para bancar as contas de casa e o projeto ainda estava dando os primeiros passos.

E, então, o momento da decisão definitiva!

Eu voltei da licença maternidade já decidida que o projeto Espichamos.com era o meu caminho para construir o dia a dia mais próximo dos meus filhos e num ritmo menos voraz do que a pressão imposta pela carreira no mundo corporativo.

E, então, entrei em uma fase de muita demanda no escritório e muito trabalho pós expediente para fazer o site crescer.

Eu voltava pra casa sempre cansada e com pouca energia pra brincar com meus filhos. Afinal, quando estamos em um trabalho que nos demanda 10 horas de atividades intensas, chegamos em casa esgotados fisicamente, psicologicamente, emocionalmente. Então, eu chegava do trabalho e, por mais que a vontade de ficar com eles era enorme, eu estava sempre esgotada.

Toda aquela reflexão que eu fazia desde a gravidez do Dudu foi se intensificando e junto com ela o desejo de tocar meu negócio e fazê-lo dar certo. Eu estava totalmente convencida que estava cometendo erros com a minha vida! As pessoas que eu mais amo eu mal via e toda a minha energia e dedicação eram colocadas no trabalho, sobrando muito pouco tempo pra mim.

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E a vida não tinha que ser daquele jeito!! Nós não temos que buscar formas de sobreviver no modelo que a sociedade impõe e sim buscar formas de viver felizes!

E foi esse o balanço que fiz: em um ano de site ele praticamente não evoluiu justamente porque eu e minha prima, que somos as sócias e únicas que mexiam nesse projeto, trabalhávamos em outras empresas. Se eu já ficava esgotada ao chegar em casa pra ficar com meus filhos, imagina pra cuidar dos filhos e do Espichamos.com.

Eu tinha que mudar a minha vida e ir muito além da criação do projeto!

E os passos práticos para a mudança de vida

Então, dei os passos necessários para a mudança de vida ocorrer de verdade!

Primeiro, comecei a fazer contas. Como eu sempre fui uma pessoa disciplinada com o dinheiro, eu tinha uma grana guardada e fiz os cálculos de quanto eu deveria apertar o cinto para poder viver durante 1 ano ou 1 ano e meio com o dinheiro que eu havia guardado.

Depois de feitas todas as contas, eu conversei com a minha mãe, pois sou filha única de mãe solteira e dependemos uma da outra. Ela me apoiou muito.

Então, tive a conversa mais importante com o meu marido. Afinal, teríamos que concordar juntos em abrir mão daquela renda, daqueles benefícios e apertar o cinto! E ele também me apoiou!

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Aí só faltava explicar na empresa e pedir demissão! Conversei com minha gestora sobre a vida, os sonhos, as decisões e o papo desenrolou tão bem que pedi minha demissão sem qualquer stress.

Hoje: vivendo plenamente e lutando por meus sonhos

E eu achei que seria muito julgada pelas pessoas ao tomar essa decisão. E foi o contrário! Minha ideia foi muito bem recebida pelas pessoas e eu percebi que quem estava do meu lado, família, amigos, quem gosta de mim e dos meus filhos de verdade, me apoiou muito.

E, enfim. Aí eu abri mão de um salário bom, em uma empresa incrível, que só crescia, benefícios incríveis, estabilidade… mas eu estava tão feliz com a decisão de tocar meus projetos, minhas coisas, meus sonhos.

Eu hoje eu tenho meus filhos bem pertinho de mim, que são tudo o que quero na vida! Tenho um super projeto em que eu acredito fortemente. E tenho uma grana guardada que me sustenta por mais um tempo.

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O que não fazia sentido era eu continuar seguindo o trilho que a sociedade tenta convencer que é a única forma de sobreviver, como um cabresto, tomando decisões erradas apenas pra seguir o modelo imposto.

Agora completam 3 meses que estou fora do trilho. E estou muito confiante, com uma energia muito positiva. Afinal, eu fiz a lição de casa, as contas, trabalho seriamente no projeto. Não foi uma loucura, uma molecagem!

E, assim, as portas se abrem! Enquanto eu não tinha aberto a possibilidade de sair e fazer algo diferente, o mundo continuava normal. Mas quando eu decidi sair e pedi demissão, quantas portas se abriram: gente querendo fazer o Espichamos.com dar certo, gente indicando o projeto pras pessoas, me passando freelas. Um monte de porta se abrindo… um monte!!

Esses 3 meses têm sido extremamente felizes! Estou realizada, acompanho de perto o dia a dia dos meus filhos, trabalho arduamente em projeto em que acredito, mas faço os meus horários e meu ritmo.

Apesar de ter outras dificuldades no caminho, como a diminuição da renda e o medo que às vezes bate por termos a mente bitolada, eu sempre me lembro que eu me propus a todas essas mudanças e, então, fico mais calma, pois sei que o nervosismo é a influência do meio em que vivemos e que estou no caminho certo.

Pode ser que as coisas não saiam como o esperado, pode ser que seja temporário. Pode ser que em um ano eu esteja procurando um emprego na área de comunicação, mas eu precisava tentar… Precisava fazer isso! O tempo que estou tendo para mim e com os meus filhos já faz tudo isso valer a pena e serão lembranças que nunca vão se apagar.

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E essa é a única forma de mudarmos as coisas: com coragem de tentar outro rumo, com trabalho duro, sem medo de pedir ajuda e de experimentar.

O próximo passo? Mudar de São Paulo!! Em busca de uma vida ainda mais equilibrada, mais saudável e em um ritmo menos voraz para meus filhos, para que eles possam escolher o caminho que mais os faz feliz, sem sofrer tanto a influência e as angústias que o mercado nos quer impor.

Um passo de cada vez, em busca de uma vida boa, feliz e possível sim… a gente merece!

2 comentários

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2 comentários
  1. 23 de setembro de 2016

    Nossa Fe,
    Ao ler essa história lembrei da minha.
    Também era realizada profissionalmente, mas quando o Davi nasceu decidi que deveria seguir novos rumos para uma vida melhor para ele, principalmente.
    Hoje, três anos depois, me sinto completamente realizada. Já tenho uma nova carreira estabelecida e agora estou me preparando para mais uma mudança. No ano que vem mudaremos para Bauru, onde tenho certeza de que terei uma qualidade de vida ainda melhor. 🙂
    Hoje trabalho, cuido e crio o meu filho com muito amor e carinho, fico ao lado do maridão, continuamos viajando bastante e agora mudaremos para uma cidade mais calma e para uma casa (não para um apertamento).

    Beijinhos
    Ale

    1. Fefa Trindade Responder
      26 de setembro de 2016

      Alê! Sua história é outro excelente exemplo de que dá pra gente mudar o rumo das nossas escolhas, contanto que trabalhemos duro e com coragem para realizá-las!
      Vamos preparar uma entrevista com você? Certamente vai inspirar muita gente!! Obrigada pelo comentário!

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