Estrada terrível de Sucre a Santa Cruz

Data: 14 julho, 2016

Categoria: Mochilão

Como contei a vocês nesse post, depois de conhecer o Salar do Uyuni e o deserto do Atacama, nossos principais objetivos na Bolívia, seguimos viagem e nos encantamos por Sucre, uma cidade boliviana aconchegante e bem organizada.

Por lá ficamos 4 dias, recuperando as energias que são super consumidas no tour pelos desertos e organizando os passos seguintes da volta ao mundo. Com um misto de alegria, saudade e tristeza, era hora de planejar o retorno ao Brasil pela fronteira com a Bolívia, já que nossa primeira lista de sonhos realizados em território estrangeiro estava lindamente completa.

Para atravessar a fronteira Bolívia – Brasil por terra, nossa melhor alternativa (em termos de custo e tempo) era ir para Santa Cruz de la Sierra e de lá atravessar para Corumbá, no Mato Grosso do Sul. E, assim, lá fomos nós em busca das passagens para Santa Cruz!

Assim como todas as outras paradas em terras bolivianas, a compra de passagens rodoviárias em Sucre foi pura emoção! Terminal pequeno, incontáveis empresas rodoviárias domésticas, gritaria para atrair clientes (“Potosiii Potosiii”) e a certeza de que, mesmo pesquisando muito e comprando tickets em supostas empresas sérias, a qualidade do ônibus seria uma caixinha de surpresas (normalmente desagradáveis).

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Rodamos o pequeno terminal, passamos em todos os guichês que ofereciam passagens para Santa Cruz de la Sierra e notamos a falta de padrão nos preços: é possível conseguir passagens desde 60 bolivianos até 200 bolivianos por pessoa. Ônibus simples, sem banheiro e com poltronas que mal reclinam, ou ônibus cama, com banheiro e poltronas que reclinam bem. Honestamente, todas as empresas pareciam de fundo de quintal, então nos restava contar com a sorte e escolher o menos pior dos ônibus dentro do nosso orçamento.

Apesar do esquema low budget durante toda a trip, na Bolívia não seguimos a máxima de buscar as passagens mais baratas, já que lá o barato sai muito caro em ônibus caindo aos pedaços rodando em estradas perigosíssimas. Especialmente no trecho Sucre – Santa Cruz não poderíamos vacilar, afinal a distância de 400km entre as duas cidades é feita em inacreditáveis 14 horas devido às precárias condições da estrada.

Então, optamos pelo bus-cama com banheiro, no valor de 120 bolivianos por pessoa, da empresa Expresso Panamericano… E seja o que Deus quiser!

No dia seguinte, lá estávamos nós às 18h para seguir viagem a Santa Cruz. E, conforme padrão nos terminais rodoviários da Bolívia, fomos até o guichê onde compramos os tickets para registrarmos nossas bagagens e pegarmos a etiqueta identificadora das malas. Chegando lá, surrrpresaaa!! Eles haviam, sem pedir autorização aos passageiros, alterado a empresa de ônibus do bus-cama e teríamos que viajar pela companhia El Mexicano, que nem guichê tinha! Logomarca de sombreiro e propagandas com garrafa de tequila…. hahahahahha dá pra acreditar?!?

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Naquela altura do campeonato, não tínhamos outra coisa a fazer se não encarar o El Mexicano. Ele estava lá, encostado numa calçada, fora das plataformas de embarque, sendo carregado por incontáveis sacos e caixas de cargas comerciais, como um bom ônibus clandestino.

Era embarcar e rezar. E assim fizemos.

Por dentro, o ônibus era menos ruim do que por fora, mas isso não quer dizer que se tratava de um ônibus…. era, na verdade, bem ruim, antigo, sem cintos de segurança e com um banheirinho podre, sem luz e com a porta quebrada.

Com meia hora de atraso, saímos da rodoviária de Sucre sentido Santa Cruz de la Sierra. E aí, meus amigos, minha recomendação é que você feche os olhinhos e tente dormir, caso contrário passará medo e nervoso durante todo o percurso, já que as estradas são terríveis, de terra, esburacadas, de mão dupla, cheias de curva e com enormes precipícios. Uma combinação horrorosa de tudo o que pode dar errado numa estrada.

Apesar do banheiro dentro do ônibus que, teoricamente, serve para proporcionar uma viagem mais rápida e com menos paradas, o motorista parou 3 vezes durante o trajeto, para que os passageiros pudessem comer ou ir ao banheiro. Prepare-se para desembolsar de 2 bolivianos a 5 bolivianos a cada banheiro que queira ir. E prepare-se para encontrar cenas terríveis mesmo pagando! 🙂 🙂

E assim foi. Num balanço interminável e barulhento durante 15 horas, em uma estrada que nem deveria receber esse título, chegamos a Santa Cruz por volta das 10h da manhã, sãos e salvos! Ufa!

Como o terminal rodoviário fica do lado do terminal de trem, aproveitamos para já pesquisar as passagens do Trem da Morte, que nos levaria até Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil. E lá confirmamos que nossa melhor opção era ficar uma noite em Santa Cruz para pegar o trem no dia seguinte. Mesmo ficando uma noite hospedados na cidade, gastaríamos menos do que pegar o trem no mesmo dia!

Então, esse é o próximo capítulo da nossa história! 😉

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