Itália e Croácia – Trechos de trem, ônibus e muitas dicas

Data: 25 fevereiro, 2016

Categoria: Mochilão

Continuando o post anterior, que você pode ler aqui, estamos descrevendo os trajetos que já fizemos dentro da Europa de trem e ônibus, bem como os sites e aplicativos que usamos, para poder matar a curiosidade de vocês e ajudar outros viajantes que procuram as melhores opções para explorar a Europa gastando menos e aproveitando o máximo possível.

Paramos nossa descrição na entrada da Itália em trens bacanérrimos da primeira classe, com vinho e petisquinhos inclusos, já que nosso Eurail Global Pass nos dá essa regalia. 🙂

Antes de entrarmos na Itália, estávamos em Grenoble, quase no sul da França e bem próximos da fronteira com a Itália, porém o melhor percurso que encontramos foi ir até Genebra, na Suíça e de lá, partirmos para Roma.

Itália

O percurso Genebra – Roma tem uma conexão em Milão, e até lá a viagem foi de cerca de 3 horas em um trem bacana e confortável. Havia serviço de bordo que atendia o pessoal da primiera classe, mas todos os comes e bebes eram pagos.

Chegando na 1a parada, tínhamos que fazer a troca do trem para Roma, achar a plataforma e trem corretos em um intervalo de 20 minutos, masss é claro, o trem atrasou 15 minutos!

Então, chegando na estação central de Milão, que é bem grande, tivemos 5 minutos pra encontrar nosso trem no telão (que, pra facilitar, não era estação final em Roma e sim em Torino) e correr para a plataforma. Parecia cena do filme “Esqueceram de mim”!! Chegamos correndo, o trem já estava lá e depois de 2 minutos que embarcamos, ele seguiu! Uufaaa!

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O trem de Milão para Roma era espetacular! Bancos bacanudos, serviço de bordo com vinho, outras bebidas petiscos doces e salgados gratuitos para a 1a classe, e também a possibilidade de pagar para usufruir de um bom prato de comida. Mas a prometida internet não funcionava bem e o cadastro era super chato.

Terminados nossos 4 dias em Roma, fomos para Florença. Havia uma opção para reservarmos um trem que chegaria em 2 horas em Florença ao custo de 12 euros por pessoa, e havia outra opção que a viagem duraria 3 horas e 30 minutos, sem ter que pagar por reserva.

Como não tínhamos pressa e buscamos sempre economias inteligentes, optamos pelo trem mais lento, já que a diferença de tempo não era tão gritante e a última parada não era na estação central, mas sim na Firenze Rifredi. Então, de lá seguimos para a Estação Firenze Santa Maria Novella (a central de Florença) em um trecho de trem local com duração de 10 minutos, também sem reserva.

Chegamos, então, na lindíssima Florença que, além de ser um passeio imperdível (mais detalhes nesse post), possui uma ótima localização para fazer bate-voltas para Pisa, Veneza, Livorno e outras cidades italianas fofas. E assim fizemos! 🙂

Florença – Pisa: Um percurso curto, de cerca de 1 hora, em trem regional sem nenhuma regalia. Não era necessário fazer reserva e se você vai fazer esse bate-volta sem o Eurail, também não precisa se antecipar tanto: basta que compareça à estação na hora que quiser ir e compre o ticket em uma das máquinas. Não esqueça de validar o ticket antes de entrar, pra não pagar multa!!

Florença – Livorno: Outro bate- volta em trem tradicional, com uma hora e meia de duração, sem necessidade de reserva. Trata-se do mesmo trem que vai para Pisa, mas Livorno é a última estação do percurso. Cabe a mesma regra: com o Eurail, basta apresentá-lo ao fiscal dentro do trem. Com o ticket tradicional, comprar nos guichês ou máquinas e validar nas maquininhas verdes antes de entrar!

Para Veneza, decidimos não fazer um bate-volta e sim ficar duas noites lá para curtir aquela maravilhosa cidade com a calma que ela merece. Conseguimos um bom preço pelo Booking em um hostel na beira do canal principal, mas teríamos pouco tempo na cidade e, além disso, a previsão do tempo era de um dia ensolorado e dois de chuva. Então, todo minuto economizado valia ouro!

Por isso, decidimos investir os 10 euros por pessoa para fazer a reserva no trem rápido, com viagem com 2h30 de duração. Havia a opção de trocarmos de trem 2 vezes e demorar cerca de 5 horas para chegar a Veneza sem ter que pagar nada, mas nesse caso não era um bom negócio para nós.
Croácia

Aqui vale mais um parênteses: Quando ainda estávamos em Roma, passamos incansáveis horas durante a noite (regadas a um bom – e barato – vinho italiano) no hostel pesquisando a melhor forma de chegar à Grécia e concluímos que, definitivamente, ir para as terras gregas seria um trabalho enorme que nos demandaria um investimento considerável de tempo e dinheiro para este mochilão.

Para se ter uma ideia, nosso plano era descer de Roma para Brindisi (5 horas de viagem, com necessidade de reserva em torno de 20 euros por pessoa); de Brindisi para Patras, em um ferry boat (16 horas de viagem, com necessidade de reserva em torno de 70 euros por pessoa); e de Patras para Athenas (um ônibus durante 2 horas com necessidade de reserva em torno de 15 euros por pessoa + um trem durante uma hora + outro trem durante 30 minutos).

E finalmente quando chegássemos em Athenas, o custo de vida é bem salgadinho e ainda não conseguiríamos curtir as praias devido ao frio. É claro que continuamos achando a Grécia maravilhosa e ela está em nossos planos, mas numa próxima vez! 🙂

E decidimos que após Veneza, nossa última cidade na Itália, iríamos conhecer algumas maravilhas da Croácia!

De Veneza para a Croácia, o bicho pegou um pouquinho! 🙂 Vimos, pelo aplicativo, que era necessária fazer a reserva e lá fomos nós na estação Central Venezia Santa Lucia. Porém, ao chegarmos lá, soubemos que não se tratava de um trem e sim um ônibus e que não sairia da estação central de trem (nosso hostel era a 6 minutos a pé da estação!), e sim de Venezia Tronchetto.

A reserva foi salgadinha: 17 euros por pessoa. E a funcionária nos orientou a pegar um vaporetto para chegar a Venezia Tronchetto (ou seja, mais 6 euros por pessoa por um percurso de menos de 10 minutos). Não gostamos nada daquela ideia e decidimos pesquisar na Internet, até confirmar que a outra opção era pegarmos o ônibus em Venezia Mestre, uma estação de trem antes da Santa Lucia.

Assim, mais uma vez usamos o Eurail sem pagar nada, fomos até Venezia Mestre e de lá pegamos o ônibus. O ponto fica na avenida em frente da saída da estação e há somente uma plaquinha pequena que identifica o lugar certo, mas dá pra se achar lá. 😉

O 2o detalhe é que o ônibus da rede da Eurail não vai direto para a Croácia e sim para a Áustria (em Villach, uma cidade que serve de conexão para diversos outros países para baixo: Croácia e Eslovênia). Lá em Venezia Mestre descobrimos que há diversos ônibus que vão direto para a Croácia, mas nós achamos eles meio clandestinos. Se você já usou algum deles, nos conte como foi sua experiência!

Pegamos nosso ônibus e num percurso de 3 horas, com visuais estonteantes de montanhas e vales nevados que tornaram a viagem super especial! 

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Além dos visus, o ônibus tinha pequenas regalias de 1a classe: café, leite, água e suco de laranja. Como bons mochileiros que somos, não consumimos nada na viagem, mas pegamos 4 saquinhos de nescafé que foram muito uteis em hostels que não possuíam café da manhã. 😀

Chegamos à Villach e tínhamos que buscar informações sobre nosso trem para Zagreb, capital da Croácia e começo de nossa aventura no país. Fomos positivamente surpreendidos pela informação de que não precisaríamos reservar e desembolsar nada no percurso de cerca de 4 horas. Obaaaa!!!

A primeira classe do trem para Zagreb já foi bem diferente das empresas italianas. Trata-se de uma cabine fechada com 6 cadeiras, calefação potente e sossego, mas sem nenhuma regalia. Dividimos a cabine com uma sul coreana que morará na Eslovênia por 6 meses para estudar. Uma graça de moça que passou a nos seguir no Face e é leitora assídua do blog. 🙂

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Qualquer percurso que passe pela Croácia terá uma parada para verificação da imigração, há que o país não faz parte do acordo Shengen. Então, não se assuste! Policiais solicitarão seu passaporte para carimbar a entrada e saída do país e você ganhará novos carimbos! Oba! 

Depois de dois dias em Zagreb, partimos para Rijeka, na região litorânea do país, e mais uma vez não precisamos desembolsar nada pelo percurso de 3 horas e meia em cabines confortáveis para 6 pessoas.

A partir de Rijeka, pegamos um ônibus local (número 10A) para ir conhecer Kostrena, uma maravilhosa praia que fica a 15 minutos da cidade. O percurso ida e volta para duas pessoas custou 12 kunas, ou seja, menos que 2 euros! Uma pechincha!! 🙂

Depois de dois dias curtindo Rijeka e suas praias lindas, decidimos que a próxima parada seria Budapeste, na Hungria. E aí sim nós passamos um perrengue dos bons!

Fizemos o trajeto Rijeka – Zagreb, pelas mesmas 3h30 de percurso sem pagar reserva e, chegando na capital croata, teríamos que trocar de trem e seguir em uma viagem de 6 horas para a capital da Hungria, também sem necessidade de reserva.

Chegamos a tempo para a conexão, nos aconchegamos na cabine e estranhamos o baixo padrão para a primeira classe. Então, nosso feeling apurado fez com que o Will saísse do trem para confirmar com os fiscais se estávamos no lugar certo e, pasmem!!, a fronteira entre Croácia e Hungria estava fechada devido aos imigrantes e seria impossível seguirmos viagem, a não ser que estivéssemos dispostos a pagar cerca de 100 euros a algum taxista a partir de uma cidade croata quase na fronteira entre os países.

Tiramos nossos mochilões do trem e ficamos lá, com cara de tacho na estação central de Zagreb. Foi, então, que decidimos partir para nosso Plano B, a Eslovênia, e ficamos muito felizes em conhecer duas lindíssimas cidades do país!

Os percursos feitos na terra dos dragões e na República Tcheca ficam para o próximo post, ok?! 😉

9 comentários

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9 comentários
  1. 6 de julho de 2016

    Cara, achei demais, na moral. Parabéns pela publicação!

    1. Fefa Trindade Responder
      12 de julho de 2016

      Obrigada Carla! Volte sempre e fique a vontade pra sugerir temas, ok?! 😉

  2. Roberto Foltran Responder
    26 de agosto de 2016

    Adorei os relatos!
    Especialmente por estar me planejando para Milão – Dubrovnik ainda esse ano.
    Disseram que Novembro só chove em Dubrovnik mas nem ligo.

    Quero aventura mesmo rs

    Um máximo as dicas de trem.

    Abraços!

    1. Fefa Trindade Responder
      6 de setembro de 2016

      Olá Roberto! Obrigada pelo comentário e que bom que as dicas foram úteis para você!
      Se tiver mais dúvidas, conte conosco!

  3. Martha Responder
    11 de janeiro de 2017

    Olá, Fefa. Adorei o post, pois estou pesquisando um maneira de ir de Veneza para Croácia de uma forma não tão cara. Quanto você pagou neste ônibus que sai de Veneza e vai para Zagreb? Quanto tempo é de viagem? Abracos.

    1. Fefa Trindade Responder
      12 de janeiro de 2017

      Oi Martha! Obrigada pelo comentário! Como nós tínhamos o Eurail pass, decidimos ir de Veneza a Villach, na Áustria, de ônibus e de lá seguimos de trem até Zagreb, na Croácia.
      A opção mais barata certamente é ir de ônibus! Os da Flixbus (que são muito bons! utilizamos várias vezes na trip) sairão em torno de R$ 80,00 por pessoa. A viagem vai durar umas 8 horas, passando pela Eslovênia e os visuais pela janela serão maravilhosos! 🙂

  4. letícia alaniz Responder
    24 de julho de 2017

    Oie! tô planejando uma viagem pra croácia e amei o post! iamos fazer o caminho pela itália… você disse que do caminho de Zagreb para Rijeka não pagaram nada???? tô com dúvida, o transporte pelo país é gratuito?

    1. Will Gittens Responder
      13 de agosto de 2017

      Olá, na verdade não pagamos nada pois já tinhamos o Eurail e esse trecho nós não precisamos pagar nada. Mas para você ter uma ideia, o valor normal dessa passagem beira os 20 Euros. Dá uma olhada no site Go Euro que você consegue encontrar todos os valores. Valeu pela visita e boa viagem!!

  5. Helder Responder
    18 de outubro de 2017

    Boa tarde,

    Gostaria de saber como foi para entrar e sair da Croacia.
    É necessário descer do onibus para que a policia carimbe os passaportes?
    Quanto tempo leva esta parada?
    É perigoso?

    Obrigado

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