Mochilão Bolívia – Congelante rota La Paz – Uyuni

Data: 15 junho, 2016

Categoria: Mochilão

Pois, então, chegamos a La Paz! E nossa ideia era seguir direto para Uyuni, ficando apenas uma noite na capital.

Se você tem tempo sobrando, vale a pena ficar alguns dias lá pra andar no teleférico da cidade, visitar o mercado das bruxas e fazer o tour “Death Road”, uma descida de bike na estrada da região que te presenteia com visus muito bacanas e adrenalina das boas. Também ouvimos dizer que as baladas em La Paz são boas e bem loucas, mas a cidade, em si, é feia, lotada, poluída. Sem grandes atrativos.

Então, depois de uma noite de descanso em um hotel beeem pulguento, fomos até o Terminal Terrestre pra comprar nossas passagens pra Uyuni e tchãã nããã!! Manifestações que haviam bloqueado todas as rodovias que saíam de La Paz. Que felicidade! 🙁

term terrestre bolivia

Compramos nossos tickets na empresa Cruz del Norte (que nos parecia a menos rampeira e, mais uma vez, reforço: prefira as empresas maiores, mesmo que pague um pouco mais, afinal as companhias locais oferecem preços baixos e ônibus caindo aos pedaços em estradas horrorosas, o que torna a viagem muito perigosa!). Pagamos 130 bolivianos por pessoa no ônibus cama (leito).

Se você quiser investir mais e ir na melhor companhia rodoviária da Bolívia, procure pela empresa Todo Turismo. Os tickets custam 240 bolivianos por pessoa e, dizem, os ônibus são novos e sempre bem revisados.

Mais um dia na capital boliviana e no hotel-pulgas e, enfim, era hora de seguir para a cidade que nos levaria ao Salar!! Oba!!

Chegamos à rodoviária de La Paz, confirmamos que as greves haviam sido negociadas e as estradas liberadas… ufa!! Sentamos num banquinho pra esperar o horário do ônibus e, em volta de nós, começou a aglomeração de turistas falando todos os idiomas que aguardavam o mesmo ônibus que nós.

Ficou claro, ali, que a esmagadora maioria dos passageiros que segue para o Uyuni é de turistas a caminho dos Desertos. E como o Will já estava escolado quanto à horrorosa cidade de Uyuni e quanto ao tour aos desertos de Sal e do Atacama, sabíamos que o melhor plano era chegar na cidade e já fechar um pacote para seguirmos para o Salar no mesmo dia.

Ou seja, nada de passar uma noite naquela cidadezinha sem nenhuma estrutura e sim rapidamente arranjar um bom grupo para fecharmos o tour de jipe. Afinal, os pacotes para os Desertos nada mais são do que o aluguel de um jipe com motorista e espaço para 6 passageiros que conviverão intensamente durante 3 dias ou mais.

O ônibus saiu no horário previsto, às 20h30, e a previsão de chegada a Uyuni era às 5h da manhã. Ou seja, cerca de 9 horas de viagem em um busão leito (para eles, bus-cama)… nada muito traumatizante para nós, que rodamos muitos mil kilometros por terra!

Assim que entramos no ônibus, conhecemos 3 rapazes brasileiros que pretendiam fechar o tour para o mesmo dia que nós e, então, combinamos de fazer a negociação juntos pra conseguirmos um bom preço. Era preciso somente conseguir mais um integrante do grupo, mas a própria agência de viagens poderia se encarregar disso.

Seguimos viagem sabendo que aquela rota era muito gelada, com temperaturas que poderiam chegar a 10 graus negativos durante a madrugada. Inocentemente, me senti preparada para o frio seguindo a fórmula: ampla experiência de Rússia e inverno europeu + cobertor cedido pela empresa rodoviária + promessa de calefação dentro do ônibus.

Tinha cobertor, mas não tinha calefação, claro. E tinha janelas frouxas, mal vedadas por onde entrava ar gelado da estrada. Coisa delícia.

Então, foram 9 horas de viagem daquelas. Difíceis, congelantes, demoradas. Mal dormi, já que passei muito frio naquela lata congelada. Porém, pela graça divina, chegamos por volta das 4h45 da matina.

Ao descer do ônibus, ainda atordoados de sono e com um frio de lascar, começa o chamado ataque zumbi por parte das agências de turismo.

Eles estão todos ali, plantados na calçada num frio daqueles, esperando os turistas chegarem pra pescá-los enquanto estão desesperados de frio e cansaço. Enquanto nos metíamos naquela muvuca básica pra pegar os mochilões no bagageiro, mais de 5 empresas nos ofereceram tours, café, banho quente, internet.

Eles brigam entre si, gritam o preço, falam mal do pacote turístico alheio, falam que o café da fulana é pago e o do ciclano é de graça. Uma verdadeira maluquice! Depois de os 5 brasileiros pegarem suas mochilas (nós dois e os 3 mineiros que conhecemos no ônibus), seguimos a pé para um café que nos ofereceu o melhor preço pra esquentarmos o corpo com uma bebida quente e esperarmos amanhecer pra escolher o tour.

Nesse meio tempo, fiquei atenta aos preços dos tours que as agências ofereciam. E, depois de um café quentinho e de nos equiparmos com muito mais agasalhos, entra no café uma das moças que havia nos oferecido os pacotes turísticos.

Começamos a negociação forte com ela e fechamos em 600 bolivianos (300 reais) por pessoa o pacote de 3 dias e 2 noites no Salar e no deserto do Atacama. O preço médio oferecido pelas empresas era de 700 bolivianos.

Seguimos para a agência da Norma e negociamos todos os detalhes do tour. E nossa principal dica é essa: não poupe os detalhes, pergunte diversas vezes, escreva tudo o que o boliviano confirmar como incluso no pacote. Mostre que está atento, exija, seja chato e muito mais esperto do que eles. Caso contrário, você certamente terá surpresas desagradáveis como vimos ocorrer com muitos grupos.

Assim, nosso tour consistia no seguinte: jipe com 6 pessoas + motorista; 3 refeições por dia; 4 litros de água mineral por pessoa; banho quente na 1a noite; saco de dormir pra frio extremo. Tudo isso por 650 bolivianos. Escrevemos tudo, tim tim por tim tim.

Sabíamos que não estava incluso no preço do pacote a entrada para o Parque Nacional das Lagoas do deserto, que estava em altíssimos 150 bolivianos por pessoa. Mas não tinha como fugir dessa tarifa, já que a segunda noite seria passada dentro do Parque.

Assim, pacotes pagos, negociações feitas, estávamos prontos pra seguir viagem! E, apesar dos contratempos normais quando se está na Bolívia, o passeio foi sensacional, as paisagens são extremamente impressionantes e ver com os próprios olhos aqueles fenômenos da natureza é de encher o coração de felicidade e memórias para toda a vida!

Por isso, fique de olho no blog porque no próximo post vamos falar sobre os dias no Salar e no Atacama! 😉

5 comentários

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5 comentários
  1. 19 de Janeiro de 2017

    Ola,

    Com relaçao a dinheiro você levou dolar, bolivar, fez cambio onde??

    1. Will Gittens Responder
      21 de Janeiro de 2017

      Olá Ytana, tudo bem?? Quase não fiz cambio, na maioria das vezes ia em um caixa automático e sacava direto do cartão, as taxas são bem melhores que nas casas de câmbio na Bolívia que definem a taxa de cambio só de olhar na sua cara. Em Uyuni mesmo ( que é uma cidade quase deserta e sem estrutura ) encontrei bancos para sacar dinheiro e pagar o meu passeio pelo deserto.

      Uma dica: Esses países tem uma mania besta de cobrar tudo em dólar, aproveita que o dólar caiu bem por aqui e leva um pouco. Isso vai evitar taxas em cartão, o nosso câmbio para dólar é mais vantajoso que o deles e você pode dar uma barganhada quando virem que você vai pagar em dólar em espécie.

      Cuidado com seu dinheiro vivo, sempre carregue ele com você e muita atenção com sua bolsa nessas viagens de ônibus. Vimos vários relatos de pessoas furtadas nessas viagens noturnas.

      Aproveite a trip e volte para contar como foi. Bons ventos!!

  2. Rafisa Responder
    30 de Março de 2017

    Ola, nesses 650 bolivianos que você fechou o pacote, estava incluso a hospedagem? Era hostel, hotel ou algum tipo de acampamento?? Se não estava incluso, quais os locais que voce indica para se hospedar. Pretendo ir em Outubro agora.

  3. juliana Responder
    14 de Maio de 2017

    Oiii
    vcs ainda tem co contato da empresa que fez o tour com vcs? eu estou indo pela segunda vez mas to procurando outra companhia.
    Obrigada

    1. Will Gittens Responder
      1 de junho de 2017

      Olá Juliana, não temos o contato deles pois foi aquela confusão típica do Uyuni, você compra com um, vem jeep do outro e nota fiscal de outro. Eu já fui duas vezes para lá, o segredo é pedir o máximo de coisas para o seu conforto. Fala que só vai fechar se eles colocarem saco de dormir, banho quente no segundo dia( que você tem que pagar ) e garrafas de água no carro, no mínimo 4 litros por dia. Fala que você é hermana sulamericana que eles gostam kkk. Abraço e boa viagem!!

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