Mochilão Bolívia – O maravilhoso Salar do Uyuni

Data: 16 junho, 2016

Categoria: Mochilão

Como contei no post anterior (leia aqui), seguimos de La Paz ao Uyuni em uma viagem congelante, chegamos à cidadezinha de madrugada e ao amanhecer, negociamos nosso tour de 3 dias e 2 noites para o Salar e o Atacama.
Basicamente, os turistas possuem duas opções de tour:

Day tour: pacote que oferece um dia de passeio (sai de manhã e volta no fim do dia) e inclui o jipe + motorista + uma refeição. O passeio vai até o hotel de sal no meio do Salar do Uyuni. É uma opção bem bacana pra quem está com pouco tempo, afinal é possível ver a maravilha que é o Deserto de Sal e tirar boas fotos. Porém, prepare-se para ficar a maioria do tempo dentro do jipe.

Pacote 3 dias e 2 noites: não há meio termo. Ou você faz o passeio de um dia, ou faz o de 3 dias. Nessa opção, está incluso o jipe + motorista + 3 refeições por dia + hospedagens. O passeio te leva até a divisa com o Chile, no meio do Deserto do Atacama. Dali, você pode seguir para o Chile em outro transporte (pago a parte) ou voltar para Uyuni.

Pois bem! Tínhamos tempo e no nosso orçamento cabia o tour de 3 dias. Negociamos tudo (seja chato, metódico e exigente caso não queira tomar um golpe dos bolivianos) e, às 10h30 da manhã embarcamos no jipe pra seguir viagem!

Nosso grupo era composto por 5 brasileiros e 1 alemã. E pode parecer bobagem, mas a composição do seu grupo é algo bem importante nesse caso, já que grande parte do tempo vocês ficarão dentro do jipe e terão uma convivência intensa. Imagina só ficar 3 dias com gente chata no seu cangote?! Trate de formar um bom grupo para o seu tour!! O nosso foi excelente e já nos tornamos bons amigos!!

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Em menos de 1 hora de viagem, já fizemos a primeira parada pra curtir um visual daqueles! O cemitério de trens fica bastante próximo de Uyuni e todos aqueles pedaços de locomotivas, enferrujados, soltos no meio do deserto, formam um verdadeiro cenário de filme!

Não poupe sua criatividade pra fazer boas fotos e tenha coragem de subir nos vagões… você terá uma vista muito privilegiada lá de cima! 😉

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Saindo do cemitério de trens, seguimos viagem e quanto mais fundo no deserto o jipe seguia, mais incrível ia ficando a paisagem na janela! Em um dado momento, o branco infinito começou a tomar conta de tudo e, era claro, havíamos entrado no Salar do Uyuni!!

É muito, muito impressionante o visual que o Deserto de Sal proporciona! Uma planície infinita, branca, de céu azul sem nuvens. Coisa surreal, cenário de filme de ficção científica!

Paramos em uma espécie de vila onde fica o Museu de Sal e um monte de barraquinhas com artesanatos bacanas feitos com sal. Parada só pra arrancar dinheiro de turista… hehehehe! Mas vale a visita rápida à parte gratuita do Museu pra tirar uma foto com a lhama gigante! 🙂

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Depois dessa primeira parada, seguimos por cerca de 2 horas deserto de sal adentro e a paisagem foi ficando cada vez mais branca e infinita! Então, paramos no meio primeiro hotel de sal, no meio do Salar, onde estão localizadas as famosas bandeiras de todo o mundo e foi instalada a escultura com o logo da corrida Dakar, que tem seu trajeto passando por ali.

Esse é o momento de tirar o seu mascote de viagem da mochila e colocar a criatividade pra funcionar pra fazer fotos incríveis. Afinal, o branco eterno do deserto de sal funciona como um estúdio fotográfico de fundo infinito (Chroma Key), daqueles usados para fazer montagens. Então, os efeitos são sensacionais e suas fotos ficarão épicas!

Como muitos aqui sabem, eu sempre viajo acompanhada da minha Girafa Viajada, então ela esteve presente em muitas fotos! 🙂 Dica: normalmente o guia e motorista do jipe possui algum boneco no porta-malas. No nosso caso, entrou em cena o dinossauro pra alegrar a turma! Heheheheh

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Por ali, no refeitório do Hotel de Sal, os grupos almoçam o rango previamente preparado pelo guia ou pela agência de turismo. No nosso caso, comemos salada, bisteca, quinua, coca-cola e frutas de sobremesa. Depois do rango honesto, estávamos prontos pra continuar a trip pelo deserto!

Mais algumas horas deserto adentro e paramos na Ilha de Cactus, uma formação rochosa no meio daquela imensidão plana totalmente tomada por cactus. Coisa linda de se ver!!

Se você quiser subir no morro para ter uma vista legal do deserto, terá que pagar 30 bolivianos a mais e, sinceramente, se a grana estiver apertada não há necessidade de subir já que o visual é muito incrível lá de baixo e rende fotos das boas.

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A parada na Ilha de Cactus foi de cerca de 1 hora de duração, suficiente pra conhecermos viajantes do mundo todo e compartilharmos histórias inspiradoras. De lá, seguimos mais ainda deserto adentro e fizemos uma das melhores paradas do tour: no meio do Salar pra contemplar o pôr do sol!

Fique atento! Muitos guias não gostam de fazer essa parada pro pôr do sol, pra chegarem mais cedo na hospedagem e descansarem. Não se esqueça de pedir (exigir) pra que organizem o roteiro e incluam essa paradinha estratégica e muito linda.

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Chegamos, por volta das 19h, numa pequena vila com diversas hospedagens feitas de sal (paredes, camas, mesas, banquinhos de sal). Nos hospedamos em um lugar bem bacana, de quartos pra duas pessoas, refeições boas e banho quente. No nosso caso, banho incluso no pacote turístico, mas no caso de outros turistas custou 15 bolivianos + 5 bolivianos pra usar toalha. E haja grana extra!

Na manhã seguinte, acordamos cedinho pra ver o nascer do sol que foi igualmente espetacular e, por volta das 7h30, seguimos viagem rumo ao Deserto do Atacama. E é muito impressionante de ver a paisagem mudando pela janela do jipe: da imensidão branca para uma paisagem árida, de chão de areia, e bastante rochosa.

Paramos no meio do deserto pra comer um rango servido na traseira do jipe, sentados nas pedras. E aproveitamos pra tirar fotos incríveis numa paisagem de encher os olhos.

Seguimos vendo, mais uma vez, a paisagem se transformar, mas agora em deserto absoluto de montanhas de areia alaranjada e lagoas de cores diversas: branca, vermelha, marron, azul. Surreal!

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Mais algumas paradas pra contemplar visuais inesquecíveis e, então, chegamos à portaria do Parque Nacional, onde é obrigatório pagar 150 bolivianos por pessoa se você for turista e 30 bolivianos se for nascido na Bolívia (injusto, não?!). Contrariados, pagamos a alta taxa e e entramos no Parque. Seguimos para as lagunas mais famosas que, infelizmente, estavam meio secas e, por isso, não havia tantos flamingos como o habitual. Mas deu pra curtir as paisagens incríveis do deserto!

Chegamos a uma espécie de vila no meio do Deserto do Atacama e lá seria nossa hospedagem da segunda noite. Nosso grupo se organizou no quarto compartilhado, botando os sacos de dormir pra trabalhar junto com as várias cobertas da cama, afinal o frio é intenso lá no meio do nada… na maioria do ano, mas principalmente nesse período de junho até setembro. Prepare-se! 🙂

Na manhã seguinte, a programação começou MUITO cedo (acordamos às 4h30 da matina) pra chegarmos aos gêiseres antes do amanhecer e vê-los com força total. O frio e a altitude fazem desse pedaço do tour mais intenso, portanto prepare-se, masque umas folhas de coca, agasalhe-se bem e curta o momento!

Os gêiseres são também muito impressionantes. Talvez tanto quanto o Salar em si! Você sobe, sobe, sobe vulcão acima até chegar a 5 mil metros de altitude na boca do vulcão e, então, contempla aquela vida quente, fumaça, água fervendo, que sabem da terra! Coisa de maluco!!

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Alguns dos geiseres expelem somente vapor quente e, por isso, a diversão e “pular os geiseres”, passando pelo meio da fumaça quente! Prepare-se pra ficar com cheiro de enxofre, ok?! 😛

Depois dos momentos loucos e fervendo nos Gêiseres, lá fomos nós para as piscinas de águas naturalmente quentes. As termas no meio do Atacama! Com uma temperatura de cerca de 5 graus negativos do lado de fora, aquela sopa de gringos é uma ótima pedida! Eu decidi não entrar por pura preguiça mesmo! Hahahaha!

Seguimos, mais e mais fundo no Deserto do Atacama. Vimos coiotes, lhamas, montanhas de areias coloridas, lagoas coloridas, pedras gigantescas, vulcões, natureza esbanjando beleza, nos presenteando com vida pulsante e momentos memoráveis pra nossa trip! Tudo muito diferente de tudo o que já vimos. Presentes pra vida toda!

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Como parte do nosso grupo (os mineiros gente fina) seguiria para o Chile, fomos até a fronteira, despachamos parte da galera e voltamos tooodo o caminho percorrido!

Depois de algumas horas, parada para o almoço e depois, direto para Uyuni. Pela janela, toda a mesma transformação da paisagem, a natureza mudando sua cara e se adaptando às condições climáticas, de altitude. Fenômeno natural dado de bandeja pra contemplarmos!

Chegamos a Uyuni às 17h do 3o dia, cansados, mas muito felizes com mais essa oportunidade que ficará para sempre em nossa história. E, apesar de ser necessário fechar um pacote turístico que acaba encarecendo um pouco as coisas, por cerca de 100 reais por dia, passamos dias intensos no Salar do Uyuni e no Atacama, pra fechar com muito alto nível a lista de sonhos que queríamos realizar fora do nosso país!

Satisfeitos com a conclusão da lista de visitas a maravilhas naturais e construídas pelo homem, seguimos do Uyuni a Sucre, uma linda cidadezinha na Bolívia que nos colocava cada vez mais próximos da fronteira com o Brasil.

2 comentários

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2 comentários
  1. LUIZ SANCHES PORTELA DE ALMEIDA Responder
    2 de dezembro de 2016

    Boa noite,

    Gostaria de saber qual empresa contrataram para o tour no salar? Pois já li diversos relatos de péssimas empresas. Estou descendo para realizar a viagem de carro do Peru a Bolívia (terminando no Salar) e estou procurando ajuda para esse tour pelo Salar.

    1. Fefa Trindade Responder
      3 de dezembro de 2016

      Oi Luiz!! Olha, sinceramente?! A qualidade de todas agências locais em Uyuni é muito parecida… Ou seja, baixa qualidade! A melhor pedida é você chegar à cidade, pegar os panfletos das agências, escolher uma e negociar tudo nos mínimos detalhes!
      Eles costumam tentar engabelar os turistas. Então, estranhe muito se o seu pacote de 3 dias no deserto de Sal e do Atacama custar mais que 800 bolivianos. Nós pagamos 650 ao negociar com uma pequena agência e deu tudo certo. Outros fecharam com empresas maiores, não negociaram direito e tiveram dor de cabeça.
      O negócio é ter sorte e fúria na hora de fechar o pacote! 🙂
      Boa sorte! 😉

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