Mochilão pelo Peru – As incríveis ilhas de Puno

Data: 7 junho, 2016

Categoria: Mochilão

Confesso que Machu Picchu era meu único grande objetivo no Peru. Depois de 5 meses de viagem vendo tantas coisas incríveis por esse mundão enorme e encantador, vivenciar aquela maravilha e transbordar em emoção na cidade perdida do Império Inca foi, praticamente, como fechar com chave de ouro a trip de volta ao mundo.

Porém, já estávamos ali em pleno país peruano e não faria o menor sentido deixar de passar por outros lugares encantadores, como o Lago Titicaca e suas ilhas, localizadas em Puno.

O Titicaca é tão grande que você pode optar por visitá-lo por terras peruanas ou bolivianas. Em ambos os países, há passeios que te levam às ilhas (flutuantes e naturais) habitadas por famílias de agricultores e pescadores que vivem, basicamente, do que plantam, pescam e, claro, do turismo.

Lago-Titicaca[1]

Depois de muito pesquisar, decidimos por visitar o Lago pelo lado do Peru, já que o país é mais organizado que a Bolívia e as ilhas (Uros, Amantani e Taquile) nos pareciam mais ricas em paisagens e experiências que as Ilhas Luna e Sol, na Bolívia. E, olha, não nos arrependemos nem por um instante… que experiência incrível!

Após uma viagem tranquila, como detalhei aqui, chegamos a Puno e já fomos em busca da melhor forma de conhecer as ilhas peruanas do Lago Titicaca. As possibilidades são várias:

– é possível ir até o pier e, por conta própria, pagar por um barco que te transporte até a ilha mais próxima, de Uros, um arquipélago formado por mais de 80 ilhotas flutuantes onde vivem famílias super simples e repletas em cultura local;

– é possível fechar um tour guiado que te leve a Uros (metade de um dia), ou até Uros e Amantani (um dia inteiro), ou até Uros, Amantani e Taquile (dois dias e uma noite).

Pesquisando e pechinchando bastante, concluímos que a experiência mais bacana e com bom custo benefício era fazermos o tour de 2 dias e 1 noite, tendo assim a oportunidade de ficarmos hospedados na casa de uma família residente de uma das ilhas. Mais do que ver com os próprios olhos as paisagens incriveis do Lago Titicaca, viveríamos a energia e o dia a dia daqueles que residem lá.

Por 90 soles por pessoa (pouco menos de 100 reais por pessoa), fechamos o pacote que incluía transporte de busão até o pier; transporte de barco até as ilhas; guia turístico; pernoite na casa da família; refeições e tickets de ingresso às ilhas.

Na manhã seguinte à nossa chegada a Puno, partimos para o tour e depois de 1 hora no barco, parávamos na primeira ilha, de Uros, que é composta por um arquipélago de ilhas artificiais, flutuantes construídas pelas famílias. Basicamente, tudo ali é feito pela planta Totora: as ilhas em si, a casa das pessoas, o artesanato, os barcos. Uma coisa muito impressionante de se ver!

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Cada ilha abriga algumas famílias e possui um “presidente”, responsável por receber os turistas e manter a ordem de sua ilha. Tudo muito simples, muito diferente de tudo que já vimos, muito interessante, muito colorido!

Ficamos em uma das ilhas de Uros por cerca de uma hora e meia, tempo suficiente para aprender como eles constróem as ilhas e suas casas, para dar uma volta no barco feito com a mesma planta (que é pago a parte: 10 soles por pessoa) e para visitar algumas casas. Por sorte, fui uma das escolhidas para experimentar uma roupa tradicional e pude tirar boas fotos com as vestimentas super coloridas.

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Claro que os moradores locais tentarão vender muitos artesanatos e muitos deles são lindos, mas se você está no esquema low budget, resista bravamente! 🙂

Depois dessa primeira visita bastante interessante, seguimos numa viagem de barco de 3 horas de duração e, então, chegamos a Amantani, uma ilha natural do Titicaca. Obviamente muito maior que as ilhas flutuantes, a Amantani é habitada por cerca de 4.000 pessoas que possuem, como idioma local, o quechua.

O guia nos apresentou, então, às mães das famílias que nos receberiam em suas casas e, assim, fomos distribuídos em grupos de 3 ou 4 pessoas para acompanhar nossas “mamas” até nossas casas. Seguimos eu, o Will e o Krishna, um rapaz cambojano muito simpático, para a casa da Patrícia.

Numa subida bastante cansativa devido à altitude (o lago está a 3.812 metros acima do nível do mar), passando por rebanhos de ovelhas, portais de pedra e plantações de quinua, chegamos à simples residência da Patrícia e sua família e ela encarregou-se de nos mostrar nossos super confortáveis quartos.

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Devidamente instalados, fomos convidados a almoçar uma deliciosa comida resultante do que é produzido na casa: batatas, cenoura, tomate, arroz, queijo e sopa de quinua. Tudo delicioso e extremamente saudável!!

Seguimos, então, para o encontro do resto do grupo e subimos para o ponto mais alto da ilha para acompanhar um impressionante pôr do sol. Mais um momento bem cansativo devido a altitude, mas com visuais maravilhosos que nos acompanharam na subida, na contemplação do sol se pondo e na volta.

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À noite, mais uma refeição deliciosa, agora acompanhados de toda a família: Patrícia, o marido e os 3 filhos, e depois tínhamos a opção de ir a uma festa tradicional organizada pelos habitantes da ilha, mas optamos por ficar no sossego da casa, curtindo o silêncio tão raro na vida doida que levamos e um céu tão estrelado que era possível ver o desenho da Via Láctea e muitas e muitas constelações. Mais um momento muito especial!

Na manhã seguinte, nos despedimos da família e seguimos ao encontro do grupo para visitarmos a ilha de Taquile, essa habitada por cerca de 2.500 pessoas e também envolta no azul incrível do Titicaca. Mais visuais maravilhosos, mais presentes da natureza, mais momentos que ficarão em nossa memória para sempre.

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Todo aquele passeio me impressionou muito. A imensidão do Lago Titicaca fez com que eu me sentisse pequena, a vida simples da família me fez lembrar como podemos ser felizes com pouco.

Assim como ocorrido nos alpes nevados em Grenoble, no lago Bled na Eslovênia, na Sibéria, no Lago Baikal, no deserto na Mongólia, nas montanhas que abraçam a Muralha da China, nas mil ilhas que compõem Halong Bay no Vietnam…. que mundo enorme, quanto capricho da natureza, quanta coisa incrível para conhecermos e, muitas vezes, tão perto de casa!

Assim como a família nômade na Mongólia, que nem sequer entende o significado do termo “sentir falta”, quanta abundância aquela família tem em poder produzir aquilo que os alimenta e poder viver em meio a uma natureza tão rica, linda e plena.

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O lago Titicaca fez crescer em mim a vontade de ver as maravilhas do meu país. Aumentou a curiosidade de ver com meus próprios olhos tantos lugares incríveis no Brasil que só conheço por foto, mas que nunca havia pensado seriamente em visitar. O lago Titicaca, suas ilhas e seus moradores reforçou em mim a certeza de como o mundo é bonito e como podemos ser felizes com menos posses e mais experiências!

Como vale a pena ter coragem, desbravar o mundo sempre e cada vez mais, cada cantinho, cada pedaço, cada beleza!

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