Mochilão pelo Peru – Odisseia rumo a Machu Picchu

Data: 31 Maio, 2016

Categoria: Mochilão

No post anterior, elaborei um verdadeiro guia para quem está organizando uma trip para Machu Picchu, com todas as alternativas que os turistas têm para chegar à maravilha inca a partir de Cusco, a principal cidade escolhida pelos mochileiros como ponto de partida para essa inesquecível aventura.

Pois bem! Agora é hora de contar a vocês a odisseia pela qual passamos para chegar lá!

Mesmo antes de pesquisarmos as alternativas para chegar a Machu Picchu, tínhamos uma certeza em mente: queríamos chegar lá a pé e não pela confortável viagem de trem. Afinal, se a intenção dos incas foi esconder essa cidade tão incrível, quê graça teria chegar lá numa viagem tranquila de 3 horas de duração? E depois ainda subir de ônibus até a porta do Parque?

Não!! A gente queria sentir a vibração da trilha, os visuais estonteantes que nos acompanhariam, o silêncio e a energia do percurso!

Devidamente informados das alternativas que tínhamos e levando em consideração a ampla experiência com trilhas e navegação por GPS do Will (dá uma olhada no canal Aventureiro Sem Grana no Youtube que tá cheio de vídeos das trilhas que ele já fez!), decidimos pegar a van até Mollepata e de lá iniciar a trilha Salkantay que leva 4 noites e 5 dias para chegar a Machu Picchu.

Para isso, nos preparamos adequadamente: alugamos sacos de dormir para frio extremo em uma das várias agências de turismo da cidade (no total, 98 soles para 2 sacos de dormir durante 7 dias), compramos suprimento de comida e água suficiente para os dias de triilha, um novo butijãozinho para o fogareiro, organizamos nossas coisas para caberem em um mochilão (que o Will carregaria) e duas mochilinhas (que eu carregaria), deixamos o 2o mochilão no locker do hostel e lá fomos nós!

Às 4h30 da matina estávamos dentro da van podreira e lotada que nos levaria até Mollepata e depois de 3h30 de viagem, estávamos diante do início da trilha de 40km! Era hora de começar a grande aventura!

Começamos a subida…. visuais incríveis, mas a altitude… Putz!! Nossas bagagens e equipamentos pareciam muito mais pesados que eram e o ar faltava cada vez mais a cada metro que subíamos.

Seguimos em silêncio, respirando com muita dificuldade e eu logo percebi que os 5 meses de viagem sem fazer academia e com a alimentação longe de ser ideal me prejudicariam muito. Depois de 3km de subida cruel, parando a cada 5 minutos para retomar o fôlego, eu tive certeza que não conseguiria. E o Will concordou comigo… mesmo com toda a experiência que ele tinha em trilhas de até 50km em montanhas no Brasil, aquilo ali era um desafio muito grande para nós naquele momento.

Decidimos voltar. Fiquei frustrada. O Will ficou puto.

Descemos os 3km que havíamos subido e logo conseguimos carona em uma van turística que havia acabado de deixar um grupo (com guias, balões de oxigênio e cavalos que subiriam com as malas) e voltaria para Cusco.

De volta à cidade, devolvemos os sacos de dormir, pegamos de volta a grana, reorganizamos nossas mochilas e decidimos que nossa melhor alternativa era seguir de van até a Hidroelétrica e de lá fazer a trilha de 11km rumo a Águas Calientes.

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Reservamos nossa ida para a manhã seguinte, ainda frustrados com o ocorrido, e fomos tomar uma cerveja Cusqueña e um Pisco Sour (drink típico peruano a base de pisco, a pinga deles!) para afogar as mágoas. Rsrs!

Na manhã seguinte, por volta das 7h45 da manhã, recomeçamos a aventura! Mais conformados, entramos na van apenas com nossas mochilinhas e seguimos numa viagem super cansativa de 6 horas de duração e que provoca muitos frios na barriga, seja pelos visuais maravilhosos pela janela, seja pelas estradas terríveis, cheias de curva, pista de terra e pedra e precipícios gigantescos a poucos metros do carro. Tem que ter estômago pra encarar o trecho que liga Cusco à Hidroelétrica passando por Santa Tereza e Santa Maria.

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No meio do percurso, uma parada para o almoço e para recarregar as energias, já que depois das 6 horas de viagem no vai e vem das curvas, ainda teríamos 11km de caminhada até Aguas Calientes!

E, enfim, por volta das 15h30, tivemos que descer da van para apresentar nossos tickets de Machu Picchu e nossos passaportes em uma cabine que delimitava o começo do Parque Nacional de Machu Picchu.

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Mais 30 minutos de estrada de terra e fomos despachados na Hidroelétrica que se resume ao seguinte cenário: uma concentração enorme de mochileiros indo e vindo de Machu Picchu, diversas vans despachando a galera, barracas de comida, água e roupas de frio e uma pequena estação de trem.

Dali, muita gente opta por pegar o trem por 25 dólares até Águas Calientes, porém outras dezenas de mochileiros seguem a pé na trilha de 11km até a cidadezinha. E era óbvio que nós seguiríamos a pé, seja pela grana, seja pela oportunidade de, enfim, sentir a vibração de uma trilha que corta visuais maravilhosos e que nos levaria até o pé das montanhas que abrigam Machu Picchu!

 

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E a trilha a partir da Hidroelétrica é muito bacana e nós recomendamos muito!! Afinal, 95% do percurso é plano, seguindo o trilho do trem e em meio a uma natureza tão maravilhosa que encanta durante todo o caminho! O silêncio impera, os mochileiros vão e vem na trilha abismados com os visuais e compartilham entre si a grande expectativa de chegar ou aquele rosto de satisfação de quem já está voltando do inesquecível passeio à cidade Inca.

Ainda na van, conhecemos dois brasileiros e seguimos a trilha juntos, papeando, parando pra tirar fotos, curtindo a tranquilidade daquele caminho. Por isso, nosso percurso demorou cerca de 2h30, porém se você seguir em um bom ritmo, sem muitas paradas e a passos rápidos, pode fazê-la em 1h40.

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E a trilha acaba dentro da cidade que, basicamente, se resume a uma rua principal cheia de restaurantes e hotéis e algumas ruelinhas com mercadinhos, praça, bancos, mais restaurantes e mais hostels. Era hora de encontrarmos um lugar pra tomar um bom banho e descansar!

Devidamente instalados em um hotelzinho em uma das travessas da cidade (que, obviamente, era mais barato que na rua principal), porém no começo da cidade, para estarmos próximos à entrada do Parque de Machu Picchu, tomamos um banho, comemos um sanduba que havíamos levado, demos uma volta pela cidade e capotamos! Afinal, no dia seguinte iniciaríamos a subida para Machu Picchu assim que o parque abrisse, às 5h da manhã!

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Às 4h30 da manhã, lá fomos nós, rumo à realização de nosso sonho e crentes que aquela última etapa seria facilmente vencida depois de tantos desafios para chegar até ali.

Ledo engano!! Ainda teríamos que encarar uma trilha muito, MUITO cansativa para quem está vivendo o pacote falta de academia + alimentação ruim + altitude terrível.

Infinitas escadas de pedra numa subida eterna com pouco oxigênio nos pulmões e nas veias! Fizemos a trilha em 1h45, parando uma série de vezes para respirar, retomar o fôlego e contemplar o visual maravilhoso.

E, enfim, chegamos!! Eu mal acreditava que estava ali, diante da portaria e prestes a passar boas horas da minha vida admirando uma das construções mais impressionantes da humanidade e patrimônio mundial da Unesco!

Entramos, subimos mais 10 minutos de trilha e tchã nããã!! Lá estava ela!! A cidade perdida!! Linda, cheia de energia e de mistério! Que coisa maravilhosa!

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Retomei o fôlego depois de chorar de alívio e emoção, enquanto o Will filmava nossos primeiros momentos em Machu Picchu. O parque ainda estava muito vazio, já que estávamos no grupo dos primeiros 20 a entrarem na cidade, então sentamos em uma pedra lá nas alturas e por lá ficamos por cerca de 1 hora, só olhando de longe, embasbacados.

Depois, começamos a descida para explorar cada cantinho daquele lugar tão incrível. Passamos pela Praça Sagrada, pelo Templo do Sol, admiramos a perfeição dos muros incas, nos divertimos com a presença das super simpáticas lhamas, subimos e descemos escadarias, passamos por bequinhos, olhamos cada detalhe tentando registrar tudo na mente.

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Fomos presenteados por nuvens que cobriram parte da cidade para nos proporcionar visuais ainda mais incríveis. E também por céu bem azul e sol, para iluminar todos os cantos de Machu Picchu.

Pegamos carona em algumas visitas guiadas (que, aliás, vale muito a pena você contratar na entrada do Parque caso tenha uma graninha sobrando!), aprendemos muito sobre quão especial é a cidade, sua localização estrategicamente escolhida pelos incas que entendiam TANTO de arquitetura, astronomia, agricultura, matemática há tantos e tantos anos atrás. É fato que eles não eram pessoas normais… a perfeição e organização das construções ali no meio de montanhas tão enormes só me leva a crer que eles tinham super poderes! 🙂

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E, enfim, por lá ficamos por mais de 4 horas. Emocionados, felizes em realizar mais um sonho, aliviados por termos conseguido!

Na saída, estampamos nosso passaporte com o carimbo de Machu Picchu e descemos a trilha que, como dizem, todo santo ajuda e foi feita em 40 minutos muito menos sofridos que a subida! 😀

Chegando novamente em Aguas Calientes, comemos um sanduba e já engatamos a trilha rumo a Hidroelétrica, para pegarmos nossa van de volta a Cusco.

Foi, sem dúvida, uma das maiores aventuras da volta ao mundo! Envolveu frustração, cansaço físico, mudança de planos. Mas também muita emoção, sensação de vitória, de conquista, de felicidade e realização de um grande sonho!

Assim que tivermos uma Internet melhor, vamos subir muitas fotos para a página do Face! Mas no youtube já conseguimos! 🙂 Esse vídeo resume bem a emoção que esse capítulo de nossa jornada nos proporcionou!! Dá uma olhada e continue viajando com a gente!

 

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