O que NÃO fazer na Tailândia: trekking em elefantes

Data: 27 julho, 2016

Categoria: Mochilão

Em outro post do blog, que você lê aqui, eu falei um pouco sobre as razões que nos levaram a não fazer uma tatuagem com a tradicional técnica tailandesa dos bambus, mesmo sendo uma experiência super interessante e intensa pra quem curte tattoos e viagens pelo mundo, como nós.

E agora, dando sequência ao tema das coisas que são atrativas aos turistas, mas que não topamos fazer, outra bastante significativa também aconteceu na Tailândia e falar sobre ela é um serviço de utilidade pública:

O trekking em elefantes. Ou seja: passear por visuais incríveis sentado nas costas do elefante, enquanto o criador do animal o chicoteia para que ele siga andando.

Logo que chegamos a Koh Lanta, em um dos primeiros passeios de moto pela ilha, passamos por um elefante solto, supostamente tranquilão na beira da estrada, comendo um bocado de folhas. Foi pura emoção! Aquele bichão parado ali, tão próximo da gente, tão bonito!

elefante1

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Eu fiquei super feliz de vê-lo tão de pertinho e, confesso, morri de vontade de subir nas costas dele pra dar um rolê.

Então, eu me enchi de uma falsa esperança de que poderia encontrar algum lugar onde os elefantes não fossem mal tratados e topassem levar os turistas nas costas sem sofrimento. E busquei freneticamente por informações que fossem contrárias ao que eu já sabia: os passeios nos elefantes envolvem práticas terrivelmente cruéis para “treinar” os bichos.

E, claro, eu não encontrei nada de bom a respeito do trekking em elefantes porque, de fato, não há!

As fotos dos turistas ficam realmente incríveis, a experiência é uma história e tanto pra contar e pra postar nas mídias sociais. E você vai repetir pros amigos a mesma versão mentirosa contada pelas agências de viagem, de que aqueles animais são bem tratados e vivem como membros da família de seus criadores – com amor, afeto, comidinha boa, lugar pra dormir e liberdade de escolha.

É mentira, tá?! Todos os bichos usados como entretenimento para os humanos são retirados, em menor ou maior grau, de seu habitat natural, de seu modo de viver livre e feliz. E a maioria desses bichos, além de tudo, é torturada para seguir as ordens do humano que se diz seu dono.

Entendeu bem?! Eles estão fora de seu habitat, privados de liberdade e constantemente machucados para que se mantenham na linha e divirtam você, humano… É muito, muito triste.

Especialmente no caso dos elefantes, foco desse post, o processo de adestramento praticado na Tailândia, intitulado de Phajaan, ou “the crush”, é extremamente cruel e realizado desde que são filhotes. Os elefantinhos são retirados de sua mãe e seu ambiente familiar, isolados e confinados em pequenos espaços, amarrados para que mal possam se mexer e torturados durante dias, semanas e meses.

No final desse processo de “treinamento”, os elefantes estão profundamente traumatizados e perdem seus instintos mais naturais. Por isso o nome “the crush”, pois acredita-se que com esse método é possível esmagar/ matar o espírito do animal. E durante a vida adulta, continuam sofrendo maus tratos para que se mantenham obedientes.

Fonte: Google Imagens

Fonte: Google Imagens

Por isso, os enormes paquidermes – que poderiam matar a todo e qualquer humano – aceitam carregar pessoas nas costas, realizar truques com bolas e pintar quadros sem que se rebelem contra aqueles que os obrigam ao trabalho escravo.

E olha… Não é por falta de informação que os turistas continuam gerando renda para esse mercado tão cruel. Há muito, muito conteúdo a respeito da crueldade usada no treinamento dos elefantes na Tailândia e em outros países asiáticos, como Nepal. Basta fazer uma rápida busca no Google, assim como eu fiz, para encontrar milhares de resultados em posts, artigos, documentários e até fotografias denúncia que foram premiadas (que eu não vou inserir aqui, porque é triste demais, mas você pode buscar no Youtube, ou pelo trabalho do fotógrafo Brent Lewin).

Não dá, simplesmente, pra falar que não sabia, pra ignorar os métodos cruéis em prol da sua diversão como viajante. Porque se você pensa assim, as outras centenas de milhares de turistas também pensarão e o mercado da crueldade contra os animais só crescerá mais e mais.

A nossa obrigação, como turistas, é procurar as oportunidades para interagir com a cultura dos países sem que haja crueldade envolvida, seja contra animais, plantas ou pessoas.

E a ótima notícia é que as oportunidades existem! Inclusive na Tailândia, para quem é fascinado por elefantes ou pelo contato com animais selvagens! 😉

Em Chiang Mai, no norte do país, está localizado o Elephant Nature Park, um local que trabalha de forma séria e ética no resgate e tratamento de elefantes mal tratados, reintegrando-os à natureza e ao dia a dia que lhes é natural e saudável.

Fonte: expertvagabond.com

Fonte: expertvagabond.com

No santuário de elefantes, os turistas podem interagir com os lindos paquidermes que estão em processo de adaptação à vida na natureza, ajudando a equipe local na alimentação e banho dos bichos. Nada de truques, nada de subir nas costas do elefante… nada disso!

Infelizmente, nós não conseguimos ir para o norte da Tailândia nessa primeira volta ao mundo, mas certamente na próxima visita ao país nós vamos conhecer Chiang Mai e o trabalho do santuário Elephant Nature Park. Se você se interessou, dá uma boa olhada no site deles e entenda a proposta.

E não se esqueça de ser bastante cético quando você está no papel de turista. Afinal, em todo o canto do mundo há gente sem caráter lucrando muito alto com a venda de experiências regadas a crueldade. Faça a sua parte, não financie esse mercado e procure conscientizar seus amigos e quem cruzar seu caminho! 😉

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