Relatos de uma volta ao mundo: Noites sem jantar na China

Data: 16 novembro, 2016

Categoria: Mochilão

A nossa experiência na China começou em Pequim. Naquela altura da trip, após 4 meses desbravando a Europa, Rússia e Mongólia, já estávamos ninjas na arte de escolher hostels com o melhor custo benefício.

Levávamos em conta o valor da diária, a boa localização, o wifi, café da manhã incluso e, principalmente, as avaliações de outros turistas. Quanto mais barato e melhor avaliado, mais chances de escolhermos como nosso lar temporário.

Mas depois de ler incansavelmente as avaliações de turistas sobre os hostels low budget na China, concluí que teríamos que ir na cara e na coragem e encarar o péssimo wifi, pouca limpeza dos cômodos e pouca simpatia dos funcionários. Fazer o quê, né?! 😀

Por muita sorte, acabamos escolhendo um hostel razoável em Pequim (apesar do péssimo wifi e da pouca limpeza. Hahahahha!!), o Three Legged Frog, que tem uma excelente localização pros mochileiros: no fim da Dashilan street, uma das ruas mais tradicionais da cidade, absolutamente lotada de restaurantes, mercadinhos e todo tipo de loja tradicional chinesa.

Alimentações fartas e baratas em Pequim

Dá pra se virar bem na alimentação e pagar pouco lá na Dashilan street. Os restaurantes possuem versões do cardápio em inglês ou fotos dos pratos pra que os turistas consigam escolher o que querem.

Pra melhorar, exatamente em frente ao hostel há um minúsculo restaurante em que o casal de senhores prepara os melhores dumplings (guiozas) que já comi na vida!!

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Ali fizemos a nossa principal refeição do dia, todos os dias! 🙂 Gastando 10 reais, nós comprávamos uma porção com 20 dumplings que alimentam muito bem duas pessoas, ou um noodles (yakissoba) e outros pratos chineses super servidos por 12 reais. Um sucesso!

Uma semana de alimentação em dia e por preços dentro do orçamento!

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Aí, saímos de Pequim e fomos para Xi’an, uma cidade milenar (a cidade tem mais de 3.100 anos!! É mole?!) que tem seu centro cercado por muralhas construídas em 194 a.C. Decidimos nos hospedar em um hostel dentro da área das muralhas e não tivemos sorte em diversos fatores dentro do hostel (uma sujeirada absurda nos quartos e banheiros), mas principalmente com a vizinhança.

Dificuldade pra se alimentar em Xi’an

Poucos restaurantes, nenhum deles com cardápios em inglês ou fotos dos pratos pra podermos escolher com base na imagem… Só um mooonte de letrinhas em mandarim. E poucos mercados também, pra ajudar! 😀

Na primeira noite, exaustos depois da viagem de trem mais surreal de nossas vidas, não tivemos coragem de sair pra procurar nada e compramos dois cup noodles no hostel mesmo.

Preparamos aquela poção de sódio e comida de mentira com a água quente do filtro da recepção e, confesso, eu tava até com água na boca devorando o miojo quando um cara se aproxima falando em chinês no celular, mostra o celular pra gente com a tela de um app de tradução chinês – inglês, e começa a conversa:

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Novo amigo chinês: “Vocês não acham que esse noodles instantâneo é pouco saudável pelo preço que custa?!”

Nós: “Sim, mas com o orçamento que temos e a preguiça que estamos de procurar algo melhor, essa é a nossa única opção.”

Novo amigo chinês: “Mas aqui perto tem um restaurante onde você come um noodles de verdade, com legumes e ovo, pelo mesmo preço. Posso levar vocês lá! Vamos?”

Nós (ainda devorando o macarrão instantâneo): “Vamos!”

Restaurante só para chineses

No caminho, recrutamos mais dois argentinos e um casal de brasileiros que havíamos acabado de conhecer. E o jantar foi um sucesso!! Num mini restaurante onde só entravam chineses, comemos um enorme yakissoba com ovo por 8 reais e de quebra aprendemos a contar até 10 em chinês (obviamente esquecemos pouco tempo depois, assim como o nome do nosso amigo…! tudo muito difícil! hahah!).

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Pedimos que ele nos mostrasse no cardápio qual era o prato que havíamos comido (note, na foto, que não há fotos na lista de pratos), assim poderíamos voltar lá e apontar o nosso pedido. 🙂

Dormimos bem alimentados e acreditamos que os próximos dias seriam de puro sucesso nesse quesito. Puro engano!!

Na noite seguinte não encontramos o nosso amigo intérprete, saímos um pouco mais tarde pra jantar e, pra garantir, fomos no mesmo restaurante. Mas a gente, simplesmente, não conseguiu sequer fazer nosso pedido!!

A gente apontava pro cardápio e a moça apontava pra fora, gritando algo em chinês que nós não sabíamos se era:

(a) Não vamos atender vocês, seus turistas esquisitos!!

(b) Esperem lá fora que já vou atendê-los!

(c) O cozinheiro saiu e já volta!

(d) Estamos fechando! Já é tarde e não vamos atender mais ninguém!

(e) Aguarde um pouco aí que já vou preparar!

(f) Nenhuma das alternativas anteriores!

Pra termos certeza que não se tratava da alternativa E, ficamos um tempo plantados no restaurante, mas ela voltou lá mais duas vezes e falava alto, apontando pra rua.

Concluímos que era hora de ir embora. 🙂 🙂 🙂

Mais dois restaurantes em nosso caminho, ambos com cardápios 100% em chinês e sem fotos. Não dava pra arriscar apontar pra qualquer coisa no cardápio sem saber o que vai comer e principalmente quanto vai pagar!!

Fomos pro hostel, comemos nosso pacote de Oreo chinesa, dormimos com fome e um pouco de mal humor.

Supermercado focado no público local

No dia seguinte, descobrimos um supermercado grande mais ou menos próximo do hostel. Fomos até lá sonhando com um pacote de pão de forma, uma manteiga e um bom queijo pra ser nosso café da manhã e janta. Só encontramos o pão e uma infinidade de bolinhos tipo Ana Maria e carnes estranhas embaladas como salgadinho. Ooo dureza!

principais opções de alimentos no mercado: pés de galinha e outras carnes estranhas em pacotes industrializados

principais opções de alimentos no mercado: pés de galinha e outras carnes estranhas em pacotes industrializados

Pra não jantarmos doce de novo (os bolinhos, que compramos obviamente!), fomos até um KFC que também não tem cardápio em inglês, mas tem fotos! E comemos os frangos fritos mais apimentados da história da humanidade porque, obviamente, não soubemos identificar isso no cardápio em chinês!! Aaaaahhhh!!!

E dá-lhe mais uma noite de péssima alimentação! Haja bom humor pra aguentar firme no dia seguinte! E dali pra frente só piorou até chegarmos no Vietnã, pois em Nanning pegamos uma bela intoxicação alimentar por comermos um noodles em uma barraquinha na rua (hahahahah! Corajosos!)

Tudo que passamos virou motivo pra rirmos, virou história pra contar na mesa do bar com os amigos, virou dica pra colocar no blog, virou experiência de vida… Valeu a pena!!

2 comentários

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2 comentários
  1. Caroline Responder
    19 de novembro de 2016

    Meu Deus! 😅 Não deve ter sido fácil para vcs! Até eu que falo um pouco de Mandarim as vezes fico perdida, imagina para vcs. 😂 Os chineses jantam muito cedo, por volta das 17:30 já começam comer. É muito cedo, mas acaba que se acostuma! 😅
    Adorei o post! 😘

    1. Fefa Trindade Responder
      3 de dezembro de 2016

      Pois é, Carol!! Foi um enorme desafio todo o nosso tempo na China! Mas a gente não se arrepende nem por um instante! Super experiência!! Nos conte sobre suas aventuras por terras chinesas! 🙂

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