Trans Mongoliana – trem da Mongólia para a China

Data: 10 abril, 2016

Categoria: Mochilão

No último post publicado sobre a Trans Siberiana, que você lê aqui, compartilhamos com vocês o caminho das pedras para comprar tickets e também nossas impressões sobre o trecho de Irkutsk, na Rússia, para a capital da Mongólia, Ulan Bator.

Uma viagem bem mais curta se comparada com as 90 horas do primeiro trecho da Trans Siberiana, com cerca de 32 horas de duração, mas bastante cansativa devido às longas paradas na fronteira da Rússia e da Mongólia, sem poder pegar água quente pra comer ou usar o banheiro.

O último trecho dessa longa jornada de Trans Siberiana seria entre Ulan Bator, na Mongólia, e Beijing (Pequim) na China. Então, no segundo dia de nossa visita à capital mongól, fomos até a estação de trem pra tentar comprar nosso ticket e, como vocês viram nos outros posts, é sempre uma odisséia conseguir adquirir os tickets!

Com a ajuda do dono do hostel onde nos hospedamos, encontramos na web algumas informações importantes sobre esse trecho da Trans Mongoliana:

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Os trens saem às 5as, Sábados e Domingos; Apenas um deles possui opção de 3a classe e, se não me engano, trata-se do trem que sai no domingo. E a terceira classe é bem punk!! Nada de beliches no corredor, como foi nossa experiência no trecho Moscou – Irkutsk, e sim poltronas duras, que não reclinam e, ainda por cima, é autorizado fumar dentro do vagão (oi??!!). Os demais trens, assim como o trecho Irkutsk – Ulan Bator, só oferecem a 1a classe (cabines com duas camas e banheiro) e a 2a classe (cabines com 4 camas).

Como chegamos em Ulan Bator num sábado, o ideal para nós era pegar o trem na 5a feira, já que a cidade não possui muitos atrativos e o que há de mais incrível pra se fazer lá são os tours para Parques Nacionais, porém são caros pra caramba e certamente faríamos um passeio de curta duração.

Então, lá fomos nós comprar nossas passagens da 2a classe Ulan Bator – Beijing! Como já estamos escolados na arte da comunicação por mímicas e palavras-chave, logo encontramos o guichê certo para comprar os tickets (muito mais rápido que em Irkutsk! hahaha!).

O pagamento só pode ser feito em dinheiro, nada de cartão de crédito ou Travel Money… diferente dos tickets do trecho Moscou – Irkutsk e Irkutsk – Ulan Bator, então dá-lhe taxas pra saque no exterior! Você certamente vai se assustar ao ter que sacar 180.000 dinheiros mongóis por cada ticket (que, convertidos em dólar, totalizam US$ 90), mas vai com fé que é isso mesmo!

Na manhã da 5a feira, às 8h30, partiu nosso trem sentido China! Logo ao entrar no trem você já perceberá a enorme diferença em relação aos trens russos da Trans Siberiana e às cabines escuras e antigas do trem que leva os passageiros da Rússia a Mongólia! Nesse trecho sentido Beijing, o padrão chinês high tech entra em ação! Vagões claros e novos, cabines claras, mais arejadas, modernas e limpas!

Cada cabines com duas tomadas, também diferente dos outros trens, portas com amortecedores pra não fazer barulho ao entrar e sair das cabines; banheiros mais espaçosos, com papel higiênico de verdade (e não aquelas lixas horrorosas.. hahaha); recipiente de água quente moderno; pias com espelhos grandes na entrada de cada vagão. Coisa fina!

Também muito diferente da altíssima temperatura do primeiro trem da Trans Mongoliana devido a uma calefação descontrolada que deixava as cabines com temperatura de 30 graus (mais parecia uma sauna), os vagões eram fresquinhos e a noite deu até um friozinho, mas cada cama possui dois cobertores além dos lençóis cedidos pelos funcionários logo na entrada do trem.

Outra enorme diferença é a velocidade e suavidade dos trens. Nada de trancos e freadas absurdas como no trecho para Ulan Bator! Trens silenciosos e suaves nos trilhos. Uma beleza!

Por volta das 18h chegamos à fronteira da Mongólia e, pela primeira vez nessa viagem inteira, a revista das malas foi bem chata: a funcionária nos fez tirar tudo (tu-do) de dentro dos mochilões… a cabine virou um verdeiro caos, já que dessa vez, além de mim e do Will, dividimos a cabine com um rapaz mongól que estuda na China. Então imagina 3 malas desmontadas em uma cabine pequena…..

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Depois dessa revista básica, funcionários da imigração recolheram o cartão que havíamos preenchido na entrada no país e também nosso passaporte. Não demorou mais que 40 minutos para recebermos de volta o nosso passaporte carimbado e os novos formulários que deveriam ser preenchidos para entrada na China.

O processo foi muito mais rápido que para sair da Rússia e, depois de uma hora parados na fronteira da Mongólia, seguimos para as burocracias da fronteira da China. E ali acontece um ponto importante da viagem… praticamente uma atração turística: a troca das rodas no trem, já que o modelo de trilhos na China é diferente dos trilhos da Mongólia! 😀

Como é nesse momento que você entrega um dos papéis da imigração e mais uma vez entrega o passaporte, não tem como estar dormindo, então aproveite pra acompanhar o processo super interessante da troca de modelo de trilhos!

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O trem entrará em uma espécie de cabine cheia de engrenagens, pequenos guindastes e muitos funcionários e lá, será içado a cerca de 2 metros de altura do chão para, então, haver a troca das rodas. É coisa de maluco!! Nós fizemos alguns vídeos, mas como a internet aqui na China é muito ruim, compartilhamos com vocês futuramente! 😉

Trocadas as rodas, voltam os funcionários da imigração, passaportes carimbados são devoldidos e é hora de seguir viagem! Nesse processo, ficamos cerca de 2h30 parados na fronteira, porém muito pouco cansativo.

Outra característica que difere esse trecho dos demais é a grande quantidade de mochileiros e outros viajantes gringos! No trecho Moscou – Irkutsk, não encontramos ninguém; No trecho Irkutsk – Ulan Bator, encontramos 1 rapaz inglês; Já nesse trecho, quase todo o vagão era composto por viajantes gringos! Éramos, no total, 16 turistas: ingleses, alemães, canadenses e nós, brasileiros! 🙂

Assim como no trem que sai de Moscou, porém diferente do trem que sai de Irkutsk, nesse trecho há a opção de comer no restaurante do trem, porém as coisas são bem caras e o melhor é mesmo você se preparar com o carregamento de miojos e outras comidinhas preparadas com água quente. O trecho para Beijing tem pouquíssimas paradas e em apenas uma delas vimos uma moça vendendo miojos e outras coisas na barraquinha. Portanto, seja prevenido e não dependa das paradas do trem!

Depois de uma noite bem dormida (mesmo com o colchão duro padrão Ásia), com um bom travesseiro, cobertor quentinho e trem suave nos trilhos, tomamos o café da manhã e já era hora de ajeitar as coisas, afinal chegaríamos a Beijing às 11h30 da manhã.

As paisagens no caminho são muito diferentes de tudo! Atravessando a Mongólia, um infinito de desertos e planícies. Ao entrar na China, montanhas rochosas lindas e imponentes, lagos e árvores habitaram nosso caminho.

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E, assim, concluímos um dos trechos mais esperados da trip: a longa travessia Trans Siberiana e Trans Mongoliana. Cerca de 150 horas dentro de trens, vivendo a base de miojo, café solúvel e pão, trocando experiências, contemplando as paisagens… Valeu a pena cada minuto, cada aventura!!

Nós temos ainda vários vídeos e imagens para compartilhar com vocês, então quando a Internet melhorar (já que aqui em Beijing é péssima!!), nós atualizaremos o Facebook e o Youtube com bastante coisa boa!!

2 comentários

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2 comentários
  1. 10 de julho de 2017

    Oi pessoal. Gostei muito do relato de vcs e suas dicas estão sendo de grande valia, pois vou fazer uma viagem parecida no final deste ano. Fiquei com uma dúvida: como vcs conseguiram o visto para a China que exige as passagens de entrada e saída do país? Obrigado.

    1. Élisson Silva Responder
      17 de agosto de 2017

      Olá Aral. Sou de Curitiba e também estou planejando esta viagem para fevereiro do ano que vem. A sua dificuldade é a mesma minha: o visto chinês!
      Pretendo pegar um voo de Pequim à Moscou na volta. O problema é que não pode ter falha nas datas e perder este voo. E também como fazer as reservas ou compras dos tickets de trem para a China. Se souber de algo, escreva-me por favor: elissons@hotmail.com.
      Ora, se alguém aqui puder nos dar este help será muito bem vindo.
      Agradeço

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