Trans Mongoliana – viajando da Rússia para a Mongólia

Data: 6 abril, 2016

Categoria: Mochilão

Já compartilhamos com vocês uma série de conteúdos a respeito de nossa experiência na Trans Siberiana durante as 89 horas de viagem que ligam Moscou a Irkutsk e ainda estamos preparando uma página especial dentro do blog que será um verdadeiro manual para quem quer embarcar nessa aventura.

A maioria dos mochileiros que compartilham suas experiências na web fizeram uma rota semelhante à nossa: após desembarcar em Irkutsk, seguiram na Trans Mongoliana para a capital da Mongólia, Ulan Bator (onde estamos agora) e daqui para Beijing na China. Ao todo, o percurso de Moscou até Beijing é de 151 horas de viagem, ou 6 dias e meio, divididos entre 89 horas até Irkutsk, 32 horas até Ulan Bator e 30 horas até Beijing.

Depois de passar quase 4 dias na 3a classe do trem russo, estávamos tranquilos com a experiência das 32 horas para chegar a Ulan Bator! Viagem curta! 🙂

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Escolados depois da Trans Siberiana, estávamos mais equipados de comida (que ajuda a passar o tempo), vídeos e músicas salvos no netbook e celular. A única novidade seria nossa experiência em uma cabine compartilhada com mais dois viajantes (2a classe), já que no trem que segue para a Mongólia não possui a opção de terceira classe.

Como de costume, chegamos à estação com 1 hora de antecedência, tomamos um chopp e compramos mais duas singelas “latinhas” de 1 litro de cerveja russa, pra ajudar a bater o sono. Atentos ao painel que indica a plataforma do trem, assim que apareceu o número da plataforma, corremos para o local indicado pra evitar a fila no frio russo (aprendizados de Trans Siberiana).

Procuramos nosso vagão e notamos que diversos vagões tinham cor cinza e filas enormes, mas o nosso vagão era verde escuro e sem fila alguma. Estranhamos aquela diferença e estranhamos mais ainda quando entramos no trem e as comissárias de bordo, orientais e simpáticas, não checaram nosso passaporte e apenas indicaram nossa cabine.

Como ainda estávamos sozinhos na cabine, rapidamente nos organizamos para colocar os mochilões no bagageiro e desocupar espaço naquele compartimento apertado pra 4 pessoas. Compramos as camas que compõem uma beliche, ou seja, eu na cama de cima e o Will na de baixo, mas, após instalados, a comissária veio trazer nossos lençóis e, na base da mímica, nos disse que poderíamos ocupar as duas camas de baixo, o que nos levou a crer que ficaríamos sozinhos na cabine. Que maravilha!!!

Aliás, aqui cabe uma informação importante: normalmente, a cama de cima é um pouco mais barata que a cama de baixo, já que o passageiro tem menos conforto e pouco acesso à mesinha disponível para as refeições. Fica a dica!

Outra informação essencial pra entender essa jornada: a diferença nas cores dos vagõies se dá porque os carros cinzas são de empresa russa e terminarão a jornada em Ulan Ude, cidade russa na fronteira com a Mongólia. Já o trem verde escuro é de empresa chinesa e segue para a Mongólia! Assim, durante o trajeto, vagões inteiros vão sendo desconectados e no final, só chega um único vagão a Ulan Bator. O nosso! Haha!

Como estamos na baixa temporada turística na Mongólia (devido ao frio, o povo só se aventura pra esses lados nos meses de Junho a Agosto), viajamos mesmo as 32 horas sozinhos na cabine! Ufa!

Os trem que segue da Rússia para a Mongólia é chinês e, por isso, totalmente diferente do trem russo que pegamos anteriormente. Como você pode ver no vídeo acima, a decoração interna é basicamente vermelha e dourada, com tapetes, pinduricalhos, estampas bem orientais. O colchãozinho que é disponibilizado pra colocar por cima da cama da cabine é duro pra caramba, como um tatame, e o travesseiro também parece um pedaço de pedra. Hahahaha!!

Partimos de Irkutsk no horário previsto, 21h35 e começamos nossa travessia na Trans Mongoliana. Como estávamos sozinhos na cabine, a noite de sono até que foi boa, mas o trem dá muito mais trancos e freadas do que o russo, o que torna a viagem mais emocionante! Incontáveis paradas são feitas no meio do caminho, mesmo quando não há embarque e desembarque de ninguém e, por volta das 8h30 da manhã, chegamos à fronteira entre Rússia e Mongólia, e aí começa a parte mais chata da jornada! Horas e mais horas de espera!

Na fronteira da Rússia, ficamos parados por 4 horas. Foram cerca de 5 inspeções diferentes feitas dentro do trem: policiais que perguntam para onde estamos indo, outros olham os compartimentos de bagagens, outros revistam as cabines, outros avaliam os passaportes e um último grupo que carimba os documentos e recolhe o papel da imigração. Depois de todo esse processo, ficamos ainda mais de uma hora parados num marasmo só!

Como ainda era cedo, conseguimos dormir mais um pouco, assistimos filme e matamos tempo dentro da cabine.

Dali, seguimos por menos de 30 minutos e paramos na fronteira da Mongólia. E dá-lhe mais quase 4 horas parados lá! Uma chatice! Em uma hora de fronteira, mais policiais, mais inspeções, preenchimento de papéis da imigração, checagem de bagagem e documentos. Tudo certo, tudo carimbado, vamos embora?! Que nada!! Cansativas 3 horas de espera!!

Já havíamos lido em outros blogs que, meia hora antes e meia hora depois das paradas, os banheiros ficam fechados e os passageiros devem usar os banheiros das estações de trem. O que não sabíamos, porém, é que o reservatório de água quente também fica fechado! Ou seja, sem banheiro e sem poder comer por horas e horas!

A solução foi sair no frio da Mongólia e procurar algo pra fazer… O Will ficou de guardião das nossas coisas na cabine e eu saí em busca de cerveja (hahaha). Após andar por ruas de terra entre casas super simples, encontrei um pseudo bar e gastei todo o restante de nossos rublos pra comprar mais duas latas de 1 litro de cerveja cada. Seria nossa salvação naquela espera!

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Porém, quem bebe cerveja precisa fazer o quê, meu Deus?! Xixi, claro!! Com os banheiros fechados, era preciso encarar o frio de novo e ir no banheiro da estação… que era pago… e tínhamos gasto o resto da nossa grana… hahahaha! Contamos as moedas e vimos que tínhamos dinheiro pra um ir ao banheiro e como bom cavalheiro que é, o Will me deu esse presente! 😀 Paguei a moça da estação e me deparo com o que?! Uma cabine com um buraco no chão!! Pagar pra fazer xixi no buraco é o fim do mundo, né?! Mas vamo que vamo!

No fim das contas, o Will levou o sorrisão dele até o banheiro com metade do valor necessário e a moça deixou ele usar também! 😉

Assistimos a mais um filme, dormimos e, enfim, por volta das 17h30 partimos para Ulan Bator. Em apenas 12 horas chegaríamos à capital da Mongólia, então o negócio era curtir a paisagem pela janela (bem diferente da Trans Siberiana), comer, dormir e esperar o destino final da travessia.

Após mais uma noite de solavancos e paradas inexplicáveis no meio do nada, chegamos a Ulan Bator!! O dono do hostel em que estamos hospedados foi nos buscar na estação e, então, era hora de começar nossa aventura pela Ásia!

O que podemos concluir, após as mais de 120 horas de viagem de trem na Trans Siberiana e Mongoliana é que a primeira é bem mais cansativa no quesito distância, porém o constante movimento te dá aquele pique de que você está cada vez mais perto do seu destino final, enquanto a segunda é cansativa no quesito espera.

As paisagens pela janela são bastante diferentes, mas ambas com seus encantamentos. Na primeira, não encontramos sequer um turista, já na segunda dividimos as 32 horas de viagem com um rapaz de Londres que estava se aventurando sozinho. A Trans Siberiana tem restaurante e você consegue variar o cardápio do miojo (hehehe), já a Trans Mongoliana não tem e se você não tiver se precavido, se ferra!

Cada travessia com suas características, aventuras particulares e emoções, e ambas nos deram momentos de cansaço, contemplação, diversão e aventuras inesquecíveis!

E depois de 7 dias na Mongólia, que renderão bons conteúdos devido às incríveis experiências que tivemos, está chegando a hora de encararmos mais 30 horas de trem! Agora, a jornada é de ir de Ulan Bator a Beijing, na China!!

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Vamos ver o que essa travessia nos reserva, né?! Continue com a gente nessa jornada! 🙂

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