A Trans Siberiana – documentos e tickets

Data: 30 março, 2016

Categoria: Mochilão

Como vocês sabem, fizemos uma parada de uma semana em Varsóvia, na Polônia, para resolvermos nosso visto para a China, já que a validade do documento depende de muitas variáveis e tirá-lo no Brasil era um risco para nós, afinal teríamos no mínimo 3 meses de estrada antes de chegar na Ásia. Não podíamos, de jeito nenhum, correr o risco de seguir com todas as burocracias no Brasil e morrer na praia, com um visto de 3 meses de validade.

Pois bem! Depois de muita pesquisa, decidimos que a capital que nos apresentava melhores condições para tirarmos o documento era Varsóvia, afinal teríamos que ficar, no mínimo, 3 dias úteis esperando o documento ficar pronto e o preço da hospedagem era bem mais baixo que em Berln, que também possui uma grande embaixada na China e estava em nosso roteiro de viagem.

Logo na 2a feira pela manhã, lá estávamos Will e eu, animados, em frente a Embaixada da China! Entramos e nos deparamos com uma sala lotada de gente, 3 guichês que chamavam as senhas numéricas e um daqueles aparelhinhos onde você escolhe o seu caso e retira a senha. E tudo escrito em quais idiomas?! Polonês e Chinês, claro! Haha! Primeiro desafio: encontrar algum polonês ou chinês naquela sala que falasse inglês e pudesse nos orientar qual botão apertar.

Desvendado o primeiro mistério, aguardamos ansiosamente o passar de 40 números até que chegasse a nossa vez. Munidos dos formulários de Solicitação de Visto preenchidos (que havíamos sabiamente baixado da internet na versão Português – Chinês, já que na Embaixada em que aguardávamos na fila, só havia o formulário em Polonês – Chinês), nossos passaportes e o roteiro da trip. Aquilo era tudo que tínhamos… não havia reservas de hostels, nem passagens para a China, nem de saída do país).

Abrimos aquele sorriso para a moça do guichê e começamos a explicar nossa história. Quando ela, prontamente (e com simpatia, apesar da má notícia que trazia) nos interrompeu e solicitou nosso comprovante de residentes em Varsóvia que, obviamente, não tínhamos.

Ela nos explicou que a Embaixada estava autorizada a apenas fazer vistos chineses de estrangeiros que moram na Polônia e que teríamos que conversar com cônsul para tentar uma exceção.

Adrenalina. Foi isso que tomou conta de nós dois. E lá fomos nós conversar com um coroa chinês que estava sentado ao lado dos guichês unicamente para resolver buchas. Hehehe. Nos apresentamos, explicamos nosso caso e ele perguntou de quê forma poderíamos comprovar aquilo que falávamos. Mostramos o roteiro de viagem, os formulários preenchidos e nos dispomos a mostrar os comprovantes de hostels nos quais já havíamos ficado hospedados.

Ele, então, pediu que redigíssemos uma carta de próprio punho contando a nossa história e , então, autorizaria seguirmos com o visto. Recolheu nossos passaportes, nos entregou um papel com o Código da solicitação e outro papel com os dados bancários da Embaixada, e nos orientou a depositarmos 150 euros (uuuii!!) no mesmo dia e voltarmos em 3 dias úteis para pegar o visto. Todos os papéis que envolveram essa burocracia estão explicados em detalhes nesse vídeo.

Três dias depois, lá estávamos nós com a ansiedade a mil! Mais uma vez precisamos de ajuda para apertar o botão certo das senhas e, em menos de 40 minutos de fila, tínhamos nossos passaportes com o tão sonhado visto chinês! Oba!

visto_chines

Passada a maior burocracia, viajamos para a Letônia, Saint Petersburg e chegamos a Moscou (como explicamos nesse post). A boa notícia é que nós, brasileiros, não precisamos de visto para entrar na Rússia nem na Mongólia. Então, passada a burocracia para tirar o visto chinês, o próximo país que precisaremos de visto é o Vietnã, mas é possível fazer o documento na China. Já o visto do Camboja, do Laos e Tailândia, nós podemos tirar na própria fronteira!

Passadas as primeiras 9 horas e meia em um trem russo para chegar a Moscou, sabíamos que a parte realmente pesada da aventura ainda estava por vir: o trem que nos levaria de Moscou a Irkutsk em uma viagem de 90 horas de duração. Isso mesmo. No-ven-ta horas (ou quase 4 dias, se você preferir) atravessando a Sibéria inóspita para chegar à cidade mais próxima do Lago Baikal. E, de lá, mais 24 horas para chegar a Ulan Bator, na Mongólia.

Depois de algumas pesquisas na Internet em sites que achamos pouco confiáveis, concluímos que o melhor a se fazer era procurar uma Central de Serviços na estação em que desembarcaríamos em Moscou e adquirir nossos tickets lá. E quem disse que encontramos uma alma piedosa que falasse inglês na estação de trem?! E quem disse que tinha uma bendita máquina que vende tickets com a opção de textos em inglês?

Desistimos e fomos para o hostel. Logo que chegamos conhecemos uma russa muito bacana que trabalhava no hostel e nos orientou a entrar no site oficial da empresa de trens da Rússia, o Russian Railways e adquirir por lá!

Fizemos isso logo após o check in! O site tem todo o seu conteúdo disponível em russo e em inglês, o que é um conforto enorme para nós. Descobrimos que os preços era bem mais baixos que tínhamos visto naqueles sites estranhos e que, conforme nossas pesquisas prévias, as viagens na Trans Siberiana são divididas em 3 categorias: 1a, 2a e 3a classes, que explicarei com mais detalhes no próximo post!

Como bons mochileiros low budget, compramos nossos tickets da 3a classe e imprimimos na recepção do hostel. Em 4 dias, embarcaríamos na mais longa linha de trem do mundo! Era preciso se preparar psicologicamente e fazer nosso carregamento de alimentos e passatempos…. afinal, 4 dias dentro de um trem não é brincadeira não!

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