Vale a pena conhecer as Catacumbas de Paris?

Data: 1 agosto, 2016

Categoria: Mochilão

Paris é uma das cidades que mais aparece na lista de desejos das pessoas apaixonadas por viajar. Em muitas dessas listas, inclusive, ela se encontra lá no topo, entre as favoritas, as mais amadas e desejadas.

Não é por menos que a capital francesa está sempre em destaque no estudo feito pela Euromonitor International, que monta o ranking das 100 cidades mais procuradas pelos viajantes em todo o mundo. Na pesquisa divulgada em 2016, com dados de 2014, Paris é a 5a cidade mais visitada do mundo, ficando atrás de Hong Kong, Londres, Cingapura e Bangkok.

Veja a lista completa das 100 cidades mais visitadas do mundo aqui!

São mais de 15 milhões de turistas por ano que chegam a Paris em busca de romantismo, bistrôs, museus (existe mais de 150 na cidade), compras, história, antiguidades. Os nomes das principais atrações turísticas pipocam aos montes: Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame, Museu do Louvre, Museu de Rodin, Champs Elyzees, túmulo de Napoleão, Moulin Rouge.

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Tantos lugares bacanas pra conhecer em Paris e você, certamente, irá embora de sua primeira visita com a certeza de que não conheceu nem 1/10 do que a Cidade Luz tem a oferecer. E, confie em mim, a sensação se repetirá na segunda, terceira visitas e provavelmente na 4a visita, assim que eu voltar para lá! 🙂

Durante o planejamento da volta ao mundo, fizemos questão de incluir a capital francesa no roteiro. Afinal, o Will nunca havia visitado a cidade, é um apaixonado por História e eu tinha certeza que conheceria mais uma porção de lugares incríveis e que a visita na companhia dele seria ver aquela apaixonante cidade com outros olhos.

Então, no auge da organização da trip, em outubro do ano passado, o AirBnb lançou uma promoção de halloween que premiava um corajoso viajante com uma noite nas Catacumbas de Paris. Eu nunca tinha ouvido falar naquele lugar e comecei a pesquisar loucamente se valeria a pena a visita (inclusive pra saber se eu tinha coragem de participar da promoção!). E, assim, eu e o Will concluímos que deveríamos incluir no roteiro por ser, no mínimo, diferente de tudo que veríamos em toda a worldtrip.

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Bom… e é isso. É um lugar inesquecível e diferente de tudo o que você pode ver pelo mundo, mas isso não quer dizer que seja um lugar lindo e que nós recomendamos de olhos fechados! 😉

Você tem que estar preparado psicologicamente para ficar mais de 40 minutos andando em túneis subterrâneos nos quais as paredes e colunas são feitas de ossos humanos. É muito, muito, muito esqueleto pra fazer tanta parede!! Bem bizarro, energia pesada, mas também é interessante conhecer tão de perto a história dos túneis subterrâneos de Paris, que estão distribuídos por mais de 300 quilômetros de extensão e são resultado da exploração de pedreiras no Império Romano.

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No século 18, Paris e o Rei Luis XVI tinham dois graves problemas pra resolver: os desabamentos resultantes dos inúmeros túneis na cidade e a super lotação dos cemitérios que traziam doenças aos bairros vizinhos devido à excessiva decomposição no solo.

Pra matar dois coelhos, o Rei decidiu esvaziar muitos cemitérios da cidade e transferir os restos mortais para o subterrâneo. O resultado disso: 2 dos 300 quilômetros dos túneis passaram a ser a moradia dos ossos de 6 milhões de pessoas e, assim, o local se tornou o maior ossuário do mundo.

Durante a caminhada pelos túneis, tudo fica em meia luz, em alguns momentos o teto é baixo (ficava no limite pra mim, que tenho 1,63m de altura), o ambiente é úmido e as placas indicam a origem dos ossos, como o nome dos cemitérios, o nome e a data de greves ou guerras que resultaram em centenas de mortes. Dá um certo frio na espinha pensar em quanta história e energia de outras vidas há naquele lugar.

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Em alguns trechos o pé direito é bem alto e os túneis ganham dimensões maiores. Há fotos de festas que eram realizadas no subterrâneo de Paris nos séculos 19 e 20. Tantas foram essas festas de arromba que nos anos 50 o Governo proibiu o acesso às catacumbas e hoje em dia só é permitido visitar esse pequeno trecho da Paris subterrânea.

As primeiras camadas de ossos estão organizadas de forma simétrica e formam mosaicos interessantes. Algumas colunas e paredes são verdadeiras obras de arte, mas com ossos… hehehe.

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No fim do passeio, a gente tava cansado e sentindo a energia do lugar pesando nas nossas costa e, por isso, saímos a pé pela cidade, caminhamos tranquilamente até chegar na Notre Dame, comemos um bom crepe de Nutella e terminamos o dia de forma leve.

Se você quiser visitar as Catacumbas, pode ir de metrô, já que há uma estação a menos de 10 minutos de caminhada do local (estação Denfert-Rochereau). É fácil encontrar a pequena fila que se forma na entrada e, se for preciso perguntar a alguém, os locais certamente saberão te indicar.

No início de 2016, o ingresso foi de 12 euros por pessoa. É possível pagar 4 euros a mais pelo audioguide, mas decidimos não gastar essa grana, já que havíamos feito nossa lição de casa e estudado um pouco o local.

É um passeio estranho, mas memorável. Se você tiver pouco tempo na cidade, priorize os lugares com energia mais positiva e deixe as Catacumbas pra uma próxima visita. Se tem claustrofobia ou aflição com temas relacionados a morte, esqueça o lugar. Agora… se você não está nesses grupos, vá lá ver com seus próprios olhos! 🙂

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